sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Resumo e Resenha: similitudes e diferenças

O que caracteriza o resumo[1] de um texto? E uma resenha? Há similitudes? Diferenças? Quais são?
Um “resumo” é uma leitura que se faz de um texto, de um filme ou de um acontecimento. O intuito é compreendê-lo. Se formos convidados a expor o que lemos, vimos, assistimos, presenciamos e temos um tempo limitado, nossa tendência é “encurtar”, sintetizar, resumir o lido, o vivido, o compreendido.
Assim, resumo é uma exposição sintetizada – oral ou escrita – de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos, uma recapitulação sucinta do lido, uma manifestação breve a respeito de um filme ou exposição.
Resumir é expor, oralmente ou por escrito, as principais conclusões de um texto. É uma síntese que contém as informações essenciais do texto lido e exige, para ser feito, análise e interpretação do conteúdo.
E a resenha? O que é e como se faz uma resenha?
A resenha[2], por sua vez, é uma reescrita de um texto lido, de uma peça de teatro ou filme assistido, de um acontecimento presenciado com detalhes, com pormenores e com manifestação de opinião.
Resenhar é produzir um texto (oral ou escrito) que além de resumir o original lido, apresenta uma avaliação sobre ele, uma crítica, apontando aspectos relevantes, positivos e/ou negativos. Trata-se, portanto, de um texto de informação e de opinião.
Para realizar uma resenha, devo ter informações mais complexas sobre o lido: ler outros textos sobre o mesmo assunto, por exemplo, é uma excelente sugestão para fazer uma resenha. Saber o que outros autores sabem ajuda a realizar a resenha sobre um texto de determinado autor.
Para concluir, há similitudes entre os termos resumo e resenha: ambos são produções a partir de textos lidos[3]. O primeiro – o resumo – deve ser fiel ao texto, sem emissão de opinião crítica. O segundo – a resenha - não existe sem a análise crítica, a opinião do leitor.



[3] Textos, filmes, peças de teatro, aulas assistidas, conferências, palestras e mesmo acontecimentos corriqueiros, narrativas, lendas...

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Martina Princesa

Olá
Este é o meu mais novo livro digital.
Martina Princesa foi inspirado em uma menininha que vive bem pertinho de mim. Quando entreguei o texto para seus pais, esperava retribuir todas as delícias que é conviver com o crescimento de uma criança encantadora. A presenteada fui eu. No outro dia, em minha porta, um desenho. Feito pela Martina. No livro, você conhece os traços da Martina e as cores que escolheu para seu desenho. Quer ler na íntegra? Escreva para mim que compartilho...
cris.rosa.ufpel@hotmail.com




quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Tons e Letras: eu recomendo

Convidada a recomendar um livro para os ouvintes do programa Tons e Letras, produzido e apresentado pelo Luis Dill[1] na Rádio FM Cultura de Porto Alegre[2], escolhi Felpo Filva, de Eva Furnari. Em seu programa, Dill oferece ao público, informações do universo literário. Assim, autores, editores, tradutores, ilustradores, leitores, além de entrevistas aprofundadas são sua “matéria” semanal.
E por que Felpo Filva, de Eva Furnari é bom?
Ele não é bom, é maravilhoso!
Escrito em 2006 e integrando a série Do avesso, uma de suas características é permitir sucessivas leituras, sem perder o poder de encantamento.
Na narrativa dessa paulistana maluca – a Eva Furnari - Felpo é um coelho poeta que, recluso em sua toca, ignora as cartas que seus leitores insistem em enviar. Um dia, resolve escrever sua Biografia. Assim, diante de sua máquina de escrever, rememora a infância:

“Capítulo I – A infância
Meu nome é Felpo Filva. Sou poeta e escritor. Sou um coelho solitário, não gosto de sair da toca. Quando eu era pequeno sofri muito porque tinha uma orelha mais curta que a outra. Os colegas sempre zombavam de mim...” (FURNARI, 2006, p. 09).

Interrompido pelo carteiro, Felpo percebe, entre a correspondência trazida por ele, um envelope grande, lilás, amarrado com um laço de fita de cetim. Ao abri-lo, sua vida nunca mais será a mesma.
Charlô Paspatu, a leitora que lhe envia a carta, assim escreve:
“Rapidópolis, 20 de fevereiro
Prezado Senhor Felpo Filva
Meu nome é Charlô e admiro demais o seu talento e os seus poemas, mas, se me permite, tem algunzinhos deles que eu não gosto nem um pouco. Sinceramente, eu discordei da história do poema da Princesa do Avesso! Cruz-credo, que final pavoroso!” (FURNARI, 2006, p. 12).

Felpo, indignado com a petulância da desconhecida, amassa e joga fora a carta.
Sim.
A carta vai para o lixo, mas o assunto não.
E, a partir desse início sedutor, a obra, em 56 belas e instigantes páginas, de maneira intensa e original registra e inventa a complexidade do tempo de Felpo, um poeta que se apaixona e reinventa a si mesmo.
No livro, o leitor é convidado a conhecê-lo em seus limites e possibilidades.
E quem pode ouvir ou ler essa história?
Pequenos desde os cinco, seis anos, se encantam com Felpo e suas peripécias, especialmente quando descobre, em um dia de muita chuva, que Charlô está em apuros com um piano!
Felpo Filva é imperdível.
É uma porta para a literatura de Eva Furnari, uma autora e ilustradora de primeira.
Seus personagens, muitos, variados, de todos os tipos físicos e psicológicos, integram uma galeria de curiosos sujeitos, todos prontinhos para serem desvendados.
Felpo Filva, esse livro incrível, revela idéias e sentimentos que têm a propriedade de durar na memória do leitor.
A partir de situações aparentemente prosaicas, como escrever uma receita de bolo, tomar um chá com alguém, sair de casa, conversar e saber o que os outros pensam de nossas atitudes, o leitor é convidado a pensar e rir. Até de si mesmo.
Se um “clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer", como afirma Ítalo Calvino, Felpo Filva, de Eva Furnari, é um clássico na Literatura para crianças.
Ouça, o programa vai ao ar aos sábados.

Ficha técnica:
Tons & Letras
Apresentação: Luís Dill
Produção: Luís Dill
Horário: Sábados, às 11h
Twitter: @fm_cultura
Facebook: fmcultura107.7




[1] Luís Dill estreou em 1990 com a novela policial juvenil "A caverna dos diamantes". Possui mais de 40 livros publicados além de participações em diversas coletâneas. Seu livro "Destino sombrio" (Companhia das Letras) recebeu o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. O autor tem o site www.luisdill.com.br 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Era uma vez...

Este é o meu mais novo livro digital.
Se quiseres ler ele inteiro, escreva para mim que compartilho.
Abraço





Letramento Literário: o conceito

O termo "Letramento literário" foi criado por Graça Paulino. Em seu livro “Das Leituras ao Letramento Literário” a autora evidencia a origem e a história desse conceito tão importante para quem estuda e ensina a literatura. O termo foi inserido no Glossário CEALE (2014). Nele, lê-se que

"Letramento literário é o processo de apropriação da literatura enquanto linguagem . Para entendermos melhor essa definição sintética, é preciso que tenhamos bem claros os seus termos. Primeiro, o processo, que é a ideia de ato contínuo, de algo que está em movimento, que não se fecha. Com isso, precisamos entender que o letramento literário começa com as cantigas de ninar e continua por toda nossa vida a cada romance lido, a cada novela ou filme assistido. Depois, que é um processo de apropriação, ou seja, refere-se ao ato de tomar algo para si, de fazer alguma coisa se tornar própria, de fazê-la pertencer à pessoa, de internalizar ao ponto daquela coisa ser sua. É isso que sentimos quando lemos um poema e ele nos dá palavras para dizer o que não conseguíamos expressar antes” (COSSON, 2014. Disponível em: http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/letramento-literario)

Graça Paulino
Intelectual mineira dedicada à formação de professores e à reflexão sobre leitura literária em sua dimensão social, no livro Das leituras ao letramento Literário (1979-1999), Graça apresenta concepções sobre a leitura e a literatura – inicialmente – e o letramento literário, logo depois, indicando o ineditismo como pesquisadora.
Coletânea de artigos que Graça Paulino publicou entre 1979 e 1999, a obra indica quando a expressão “letramento literário” foi apresentada publicamente pela primeira vez: na reunião anual da ANPED – Associação Nacional de Pesquisa em Pós Graduação em 1999.
O tema abordado – letramento literário – é conceituado como um “processo ativo de apropriação da literatura enquanto construção literária de sentidos”. Para Graça, “o letramento literário configura a existência de um repertório textual, a posse de habilidades de trabalho linguístico-formal, o conhecimento de estratégias de construção de texto e de mundo que permitem a emersão do imaginário no campo simbólico”.
Composta por 20 artigos, a obra de Graça inicia com a publicação de um dos capítulos da dissertação e passa por diferentes ensaios sobre o livro e o leitor, práticas de seleção de leitura e a função da literatura para crianças. Em seus artigos, a pesquisadora discute a questão da falta de leitura do ponto de vista da teoria da leitura literária, questiona as funções da literatura infantil, indaga sobre como e por que lemos poesia agora e analisa criticamente a formação de professores, a iniciação e a construção do leitor. Como se pode observar, questões pertinentes ao universo da leitura e da formação do leitor em suas relações com a escola e a sociedade. É um passeio pelo que há de melhor na crítica literária e uma aula para a formação de um intelectual.
Ao questionar e responder “Para que serve a literatura infantil?”, a autora aborda, com coragem, uma instigante questão que envolve a produção e a circulação de um formato específico de arte: a literatura para crianças no Brasil. E afirma: “Não há e nunca houve uma verdadeira arte que valesse o mesmo para todos no mundo, em todas as épocas, porque as pessoas têm expectativas, preferências e repertórios diferentes. Além do mais, há as diferenças de critérios de valor que dependem fundamentalmente de cada época histórica” (PAULINO, 2010, p. 129).
Nos dois últimos artigos que estão inseridos no livro, Graça aborda mais aprofundadamente o termo criado por ela, Letramento Literário. São eles: “A formação de professores leitores literários: uma ligação entre infância e idade adulta?” e “Letramento literário: cânones estéticos e cânones escolares”.
Leia o livro, ele é raro, importante e composto por artigos selecionados, uma a um, pela autora, uma vez que registra 20 anos de sua produção. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Original e Reconto: uma sequência didática

“Ma sopra tutte le invenzioni stupende, qual eminenza di mente fu quella di colui che s'immaginò di trovar modo di comunicare i suoi piú reconditi pensieri a qualsivoglia altra persona, benché distante per lunghissimo intervallo di luogo e di tempo? parlare con quelli che son nell'Indie, parlare a quelli che non sono ancora nati né saranno se non di qua a mille e dieci mila anni? e con qual facilità? con i vari accozzamenti di venti caratteruzzi sopra una carta. Sia questo il sigillo di tutte le ammirande invenzioni umane...” (Galileo Galilei, Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo, 1632, p.62).

“Mas sobre todas as invenções estupendas, que a eminência de mente foi aquela de quem imaginou encontrar modo de comunicar seus próprios pensamentos mais recônditos a qualquer outra pessoa, mesmo que distante por enorme intervalo de tempo? Falar com aqueles que estão na Índia, falar com aqueles que ainda não nascerem e só nascerão dentro de mil ou dez mil anos? E com que facilidade? Com as várias junções de vinte pequenos caracteres num pedaço de papel. Seja esse o segredo de todas as invenções humanas..." (Italo Calvino, Por que ler os clássicos, 2007, p. 93).

O excerto acima, original e traduzido por Italo Calvino, integra o texto Dialogo, escrito por Galileo Galilei, em 1632. Disponibilizado pelo Projeto Manuzio[1], no texto Galileu refere-se ao alfabeto necessário para ler o livro da natureza, escrito, segundo ele, em linguagem matemática.
A escolha desse trecho, que se refere às letras do alfabeto e a seu poder – o segredo de todas as invenções humanas, de acordo com Galileo – para abrir esse texto sobre clássicos e recontos se deve ao necessário vínculo que mantemos com quem viveu no passado e deixou impresso sua leitura do mundo.
Galileo fez isso. E reconheceu que a invenção do alfabeto era a porta para o futuro e, claro, para o passado. É pelo conhecimento do código que eu escrevo. Mas é também por esse conhecimento que leio. Assim que, pela escrita, o tempo não existe ou existe suficientemente para que eu saiba quem, quando, onde e por que escreveu algo.
Tudo isso para apresentar Original e Reconto: uma sequência didática, um texto que surgiu após uma demanda de uma estudante de Pedagogia. “Professora”, disse ela, “preciso criar uma sequência didática e pensei na literatura. Podes me ajudar?”. Imbuída do desejo de retribuir a confiança que a aluna depositou em mim, busquei, inicialmente, responder à questão: O que é uma sequência didática? Como se planeja? É possível fazer uma sequência didática com o tema literatura infantil?
Recorrendo aos Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC, 1997) que antecedem o Plano Nacional de Educação[2] (MEC, 2014-2024), pode-se compreender a sequência didática como um termo recorrentemente utilizado para evidenciar que as aprendizagens são contínuas (MEC/PCNs, 1997, p. 36). Assim, caberia à escola “seqüenciar os conteúdos segundo critérios que possibilitem a continuidade das aprendizagens”.
Sequência didática  então, é um termo utilizado na educação para definir um grupo de procedimentos encadeados de maneira articulada. As sequências integram Projetos Pedagógicos – de curta ou média duração – que apresentem um objetivo compartilhado e se expressam em um produto final (MEC/PCNs, 1997, p. 50). Sequência didática pode ser entendida também como uma proposição teórico-metodológica organizada em passos ou etapas conectadas entre si que objetivam tornar mais eficiente o processo de ensino e o aprendizado. Na formação do leitor, são “situações didáticas propostas com regularidade e voltadas para a formação de atitude favorável à leitura” (MEC/PCNs, 1997, p. 46).
De acordo com o MEC (PCNs, 1997) o professor tem o papel principal como mediador entre o conhecimento linguístico disponível e o aprendiz durante o processo de ensino-aprendizagem. Neste processo, deve levar em consideração também, a competência discursiva de seus alunos, representada pela escuta, leitura e produção de textos.
E o que significa mediar, ser um mediador? Mediador é o professor que, durante o processo de aprendizagem da língua, indica, evidencia, mostra aos estudantes como a opinião de cada um ali presente deve ser considerada. No processo de interlocução, a consideração real da palavra do outro é condição de aprendizagem, pois as opiniões dos demais apresentam possibilidades de análise e reflexão sobre as próprias. Daí o primeiro passo do educador: tornar a sala de aula um espaço onde cada sujeito tenha o direito à palavra reconhecido como legítimo. A intervenção/mediação do professor ao oportunizar a “convivência no espaço público da escola”, de acordo com os PCNs (p. 68), é essencial e dela depende “a aprendizagem dos alunos”.

A sequência didática quando da leitura de literatura: clássicos e recontos.
Quando se intenciona ensinar literatura, é necessário, primeiro, considerar os saberes prévios, o repertório dos estudantes. Esse deve ser o princípio didático para o professor: saber o que os seus alunos sabem[3]. Logo depois, estabelecer os objetivos que, no caso da literatura passam por: desenvolver valores e atitudes leitoras. Estas podem ser definidas como o interesse por ouvir e manifestar sentimentos, experiências, idéias e opiniões; fazer-se entender e procurar entender os outros além de respeitar ideias e modos de falar dos outros.
Quais textos ler?
Dentre os principais recursos que precisam estar disponíveis na escola para viabilizar a proposta didática da área da literatura, estão os textos autênticos, originais.
A utilização de textos autênticos, de acordo com os PCNs (MEC, 1997, p. 61) pressupõe cuidado com a manutenção de suas características gráficas como a formatação, paginação e os diferentes elementos utilizados para atribuição de sentido. É importante também, que esses textos sejam trazidos para a sala de aula nos seus portadores de origem.
A literatura nos PCNs:
Se observarmos os PCNs para a Língua Portuguesa, podemos localizar, entre os temas relevantes a serem tratados, o que diz respeito à especificidade do texto literário (MEC/PCNs, 1997, p. 29-30). Para o documento, “A literatura não é cópia do real, nem puro exercício de linguagem, tampouco mera fantasia que se asilou dos sentidos do mundo e da história dos homens” (p.29) e é “importante que o trabalho com o texto literário esteja incorporado às práticas cotidianas da sala de aula, visto tratar-se de uma forma específica de conhecimento” (MEC/PCNs, 1997, p. 29).
Tomada como uma “maneira particular de compor o conhecimento”, a literatura na escola potencializa uma “autonomia relativa ante o real” e implica dizer “que se está diante de um inusitado tipo de diálogo regido por jogos de aproximações e afastamentos, em que as invenções de linguagem, a expressão das subjetividades, o trânsito das sensações, os mecanismos ficcionais podem estar misturados a procedimentos racionalizantes, referências indiciais, citações do cotidiano do mundo dos homens” (MEC/PCNs, 1997, p. 29-30).
Assim, o ensino da literatura ou da leitura literária envolve o “exercício de reconhecimento das singularidades e das propriedades compositivas que matizam um tipo particular de escrita” e, com essa compreensão, “é possível afastar uma série de equívocos que costumam estar presentes na escola em relação aos textos literários, ou seja, tratá-los como expedientes para servir ao ensino das boas maneiras, dos hábitos de higiene, dos deveres do cidadão, dos tópicos gramaticais” (p. 30) entre outras.
Se o foco é a “formação de leitores capazes de reconhecer as sutilezas, as particularidades, os sentidos, a extensão e a profundidade das construções literárias” (p. 30), o caminho é o contato profícuo com o texto, seu autor, seu contexto.

Sugestão de sequência didática com texto narrativo: o original e o reconto
A proposta é ler um conto original como, por exemplo, A princesa e a Ervilha, de Hans Christian Andersen, no primeiro dia e ler, no segundo, “Ervilina e o Princês” ou “Deu a louca em Ervilina”, de Sylvia Orthof, autora e ilustradora detentora de selos de “altamente recomendável para crianças” pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. O objetivo é reconhecer o clássico, seu impacto literário e suas características narrativas e perceber o mesmo em uma reescrita moderna (século XX) que toma o clássico como referência.

1.    Primeiro dia: Leitura da Narrativa Original
ü    Perguntar às crianças se gostam de ouvir histórias e quais conhecem;
ü    Indagar se conhecem a biblioteca da escola, se a frequentam, se conhecem alguma livraria ou sebo, se há livros em suas casas e quem os lê...
ü    Informar que há muitas versões de circulando e que vais ler a "verdadeira". 
ü    Apresentar o livro que vais ler e mencionar quando a história foi escrita, mencionar o autor sua biografia e elencar outras histórias que ele escreveu e perguntar se as conhecem;
ü    Ler, em voz alta e sem alterar o texto, a narrativa escolhida, convidando-os a ouvirem;
ü    Ao fim, perguntar o que sentiram ao ouvirem a história, qual o personagem que mais gostaram, se há algum entre eles que não gostaram e quais os motivos desse gostar/não gostar;
ü    Solicitar que imaginem e expressem o que fariam no lugar dos personagens, se os imitariam, contestariam, agiriam diferenciadamente;
ü    Convidá-los a pensar sobre narrativas reais similares: elas existem?

DICA: Como dica pedagógica para a pesquisa de repertório dos estudantes e no início da sequência que tem objetivo, o mediador deve anotar (gravar/registrar) todo o diálogo como fonte para a análise comparativa com as demais atividades.

2.    Segundo dia: Leitura do reconto em voz alta
ü Informar que a narrativa lida no dia anterior é muito conhecida no mundo todo e outros escritores resolveram inventar um jeito diferente de contá-la;
ü Perguntar se querem ouvir uma das reinventadas;
ü Informar que a autora da reescrita é uma brasileira;
üLer o título da reescrita e perguntar se há semelhanças com o título original;
ü Anotar os dois títulos no quadro, em letras grandes e ler para eles, pausadamente e em voz alta;
ü Incentivá-los a comparar os dois títulos e argumentar;
ü Apresentar o livro que vais ler e mencionar o tempo em que a história foi escrita;
ü Referir-se à autora e sua biografia;
ü Elencar/informar sobre outras histórias que ela escreveu e perguntar se as conhecem;
ü    Ler, em voz alta e sem alterar o texto, a narrativa escolhida, convidando-os a ouvirem;
ü    Perguntar o que sentiram ao ouvirem a história, qual o personagem que mais gostaram, se há algum entre todos que não apreciaram e sugerir que argumentem;
ü    Sugerir que comparem as duas histórias.

DICA: Organizar, no quadro uma tabela com as semelhanças/diferenças incluindo as características linguísticas e de contexto de cada um dos contos. Anotar o diálogo para a análise com o ocorrido no primeiro dia.


3.    Para fechar essa sequência...
Literatura é arte. Deve ser fruída. Apresentar duas escritas, tendo a original como referência, amplia o repertório das crianças e do professor e realiza o que se deseja em literatura: prazer e pensamento, ludicidade e reflexão, o doce e útil vínculo que há nos melhores textos.
Lembre sempre: a escola é um lugar privilegiado para ingressar nos sabores e saberes literários e, nela, é o professor que produz o leitor. "A leitura é uma arte que se transmite, mais do que se ensina", escreveu a Michèle Petit. E eu assina embaixo!



Referências:
ANDERSEN, Hans Christian. A princesa e a ervilha. Tradução de Maria Luiza Borges. In: Contos de fadas: de Perrault, Grimm, Andersen e outros. São Paulo: Zahar, 2010.
GALILEO, Galileu. Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo. Disponível em: http://www.liberliber.it/biblioteca/licenze/
CALVINO, Italo. O livro da Natureza em Galileo. In: Por que ler os clássicos. São Paulo: Cia das Letras, 2007.
ORTHOF, Sylvia. Ervilina e o Princês. Ilustrações de Laura Castilhos. Porto Alegre: Editora Projeto, 2009 [1ª Ed. 1986].
PETIT, Michele. A arte de Ler. São Paulo: Editora 34, 2009.






[1] Iniciativa da Associação Cultural Liber Liber, que intenciona publicar e difundir gratuitamente obras literárias em formato eletrônico disponíveis em: http://www.liberliber.it/
[2] O PNE 2014-2014 é um projeto de Nação, segundo o MEC. Está sendo elaborado e intenciona determinar as diretrizes, metas e estratégias para a política educacional do país. Mais em: http://pne.mec.gov.br/
[3] Para saber mais, leia Teste de leitura e letramento, neste mesmo BLOG.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Babi: um livro digital novinho em folha

A seguir, as primeira páginas de meu mais novo livro digital. Escrevi para minha sobrinha Ana Clara.
Quer ler todo?
Fale comigo (cris.rosa.ufpel@hotmail.com)








Alfabeteando...

Olá, bem vindo!

Um "Alfabeto à parte" foi criado em setembro de 2008 e tem como objetivo discutir a leitura e a literatura na escola. Nele disponibilizo o que penso, estudos sobre documentos raros e meus contos, além de uma lista do que gosto de ler.

Em 2013 concluí pesquisa sobre o Abecedário Ilustrado Meu ABC, de Erico Verissimo, publicado pelas Oficinas Gráficas da Livraria do Globo em 1936. O lançamento do livro e sua repercussão estão no Blog. Alguns artigos sobre a pesquisa também. Leia e dê sua opinião.

A novidade, em 2015, foi a inauguração da Sala de Leitura Erico Verissimo, um sonho antigo que agora se realiza. Em 2016, o processo de restauro da Biblioteca na Escola Fernando Treptow, inaugurada em 25 de novembro.

Em 2017 estou produzindo a Biografia de João Bez Batti. Através de relatos pessoais nos quais a criançaque João foi é a personagem principal, recosntruo, com narrativas litetárias, seu descobrimento como escultor. Bilíngue (português e italiano) o livro tem data para ser lançado: 11/11/2017.

Abraço

Cristina