terça-feira, 4 de junho de 2019

O desejo por páginas e mais páginas de boa literatura...


Critério de escolha: cada leitor tem o seu
Cristina Maria Rosa

Tenho investido em uma aula na Universidade, que ensina leitores a escolher melhor o que ler. Para si e para os outros, nossos possíveis ouvintes.
Denominada “Critérios de escolha do que ler”, a aula ocorre em uma livraria. Lá, diante da impossibilidade de ler tudo, aprendemos a ser seletivos, a lançar mão de filtros, a utilizar juízos de valor, a focar e escolher destinatário ao nosso desejo por páginas e mais páginas de boa literatura.
Por isso, cada vez que um grupo de livros aparece como resultado de pesquisa como os melhores para um grupo de pessoas, busco saber quais são e, logo que posso, adquiro um ou dois dessa lista, considerado por mim o melhor ou os melhores da já tão seleta escolha.
Foi assim que procedi quando li a matéria enviada pelo amigo Hércules, também ele um leitor interessado em ler e saber indicar o que é bom.
Eu já escolhi os meus e os encomendei. Logo que chegarem, vou ler e te informo depois se minha escolha de alguns entre tantos foi bem sucedida.
A seguir, uma palhinha da matéria que o Hércules, um de meus amigos mineiros, enviou: 
 Os 30 melhores livros infantis do ano 2018
Aryane Cararo[1]

Como se faz uma boa escolha? Diante de tantos lançamentos, fica difícil saber qual livro oferecer para as crianças. Às vezes, nos deixamos levar pela necessidade, outras pelo que nos toca o coração. E, claro, não conseguimos fugir da influência do mundo ao nosso redor. Guiados por critérios de criatividade, inovação e qualidade de texto, de ilustração e de projeto gráfico, 38 jurados fizeram suas escolhas para a lista dos 30 Melhores Livros Infantis do Ano, realizada pela CRESCER há 13 anos. Os títulos aqui selecionados são aqueles que mais vezes foram citados e mais bem pontuados, de um universo de 195 obras mencionadas.
É interessante observar como as lutas contemporâneas e as questões existenciais vieram fortes nesta edição. Assuntos relacionados a gênero e diversidade afloraram em títulos que ora liberam meninos e meninas da divisão por sexo no vestuário, ora não entendem qual é a cor de um “lápis cor de pele”. Sinais dos novos tempos...
Tempo, esse substantivo que dita vida e morte, chegadas e despedidas, uma espera às vezes ansiosa, outras vagarosa, também ditou a essência para algumas das histórias desta seleção. Histórias que puxam outras, transformando a leitura em uma busca divertida pelas referências implícitas, como você notará em diversos livros. Um, em especial, que empossa o pequeno leitor de seus direitos – entre eles, a garantia sagrada de fazer de conta. E imaginação é o que não falta aqui, em obras com questões tão instigantes que a pergunta que abre este texto até merecia estar em uma delas. Esperamos que, após a leitura das próximas páginas, você consiga fazer sua boa escolha.

Os títulos mais interessantes lançados em 2017.


1.       A quatro mãos. Texto e ilustrações de Marilda Castanha, Editora Companhia das Letrinhas;
2.       O passeio. Texto de Pablo Lugones e ilustrações de Alexandre Rampazo, Editora Gato Leitor;
3.       Lina e o balão. Texto e ilustrações de Komako Sakai, Editora Pequena Zahar;
4.       O sol se põe na Tinturaria Yamada. Texto de Claudio Fragata e ilustrações de Raquel Matsushita, Editora Pulo do Gato;
5.       O caminhão. Texto e ilustrações de Lúcia Hiratsuka, Cortez Editora;
6.       A mulher que matou os peixes. Texto de Clarice Lispector e ilustrações de Mariana Valente, Editora Rocco Pequenos Leitores;
7.       A ilha do vovô. Texto e ilustrações Benji Davies, Editora Salamandra;
8.       Com quantos pingos se faz uma chuva? Texto de Maria Amália Camargo e ilustrações de Ionit Zilberman, Ôzé Editora;
9.       O mundo seria mais legal. Textos e ilustrações de Marcelo Tolentino, Editora Companhia das Letrinhas;
10.   O sótão. Texto de Hiawyn Oram e ilustrações de Satoshi Kitamura, Editora Pequena Zahar;
11.   Andar por aí .Texto de Isabel Minhós Martins e ilustrações de Madalena Matoso, Editora 34;
12.   Polvo pólvora. Ilustrações de Laurent Cardon, Editora Biruta;
13.   Duas casas. Texto de Roseana Murray e ilustrações de Elvira Vigna, Abacatte Editorial;
14.   A volta dos gizes de cera. Texto de Drew Daywalt e ilustrações de Oliver Jeffers, Editora Salamandra,
15.   De flor em flor História de JonArno Lawson e ilustrações de Sydney Smith, Editora Companhia das Letrinhas;
16.   Com que roupa irei para a festa do rei? Texto de Tino Freitas e ilustrações de Ionit Zilberman, Editora do Brasil;
17.   O dia da festa. Texto e ilustrações de Renato Moriconi, Editora Pequena Zahar;
18.   Rosa. Texto e ilustrações de Odilon Moraes, Edições Olho de Vidro;
19.   Histórias de Willy. Texto e ilustrações de Anthony Browne, Editora Pequena Zahar;
20.   Direitos do pequeno leitor. Texto de Patricia Auerbach e ilustrações de Odilon Moraes, Editora Companhia das Letrinhas;
21.   Use a imaginação. Texto e ilustrações de Nicola O’Byrne, Editora Brinque-Book;
22.   Muito cansado e bem acordado. Texto e ilustrações de Susanne Strasser, Editora Companhia das Letrinhas;
23.   Deu zebra no ABC. Texto e ilustrações de Fernando Vilela, Editora Pulo do Gato;
24.   Adelaide, a canguru voadora. Texto e ilustrações de Tomi Ungerer, Aletria Editora;
25.   A casa do Cuco. Texto e ilustrações de Alexandre Camanho, Editora Pulo do Gato;
26.   Assopre, ponha o curativo e sarou! Texto de Bernd Penners e ilustrações de Henning Löhlein, Editora Brinque-Book
27.   Pode pegar. Texto e ilustrações de Janaina Tokitaka, Editora Boitatá;
28.   Super. Texto e ilustrações de Jean-Claude Alphen, Editora Pulo do Gato;
29.   A cor de Coraline. Texto e ilustrações de Alexandre Rampazo, Editora Rocco Pequenos Leitores;
30.   O caminho de Marwan. Texto de Patricia de Arias e ilustrações de Laura Borràs, Trioleca Casa Editorial.


As juradas e os jurados
Alice Áurea Penteado Martha é professora do Programa de pós-graduação em Letras da UEM (PR), coordenadora do Grupo de Pesquisa Centro de Estudos de Leitura, Literatura e Escrita (Celle/UEM), membro do Grupo de Pesquisa Leitura e Literatura na Escola e votante da FNLIJ.
Alice Bandini é arte-educadora e contadora de histórias. Atuou no setor de programação cultural da Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas (SP).
Ana Crelia Dias é doutora em Literatura Brasileira pela UFRJ e coordenadora do curso de especialização em Literatura Infantil e Juvenil da mesma universidade.
Ana Paula da Costa Carvalho de Jesus é mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP, professora de Língua Portuguesa e Literatura do Ensino Fundamental II do Colégio São Domingos (SP) e assessora de literatura infantil para escolas e editoras.
Angela Müller de Toledo é bibliotecária escolar (SP), especialista em produção cultural para crianças e jovens, consultora na área de literatura infantojuvenil e formadora de mediadores de leitura.
Beatriz Cattani é bibliotecária formada pela USP. Atua em bibliotecas escolares há mais de 20 anos e atualmente trabalha no Colégio Rainha da Paz (SP).
Beto Silva é pedagogo e psicopedagogo, consultor e assessor de projetos nas áreas do livro, leitura, literatura, juventude e inovação educacional. Atuou em projetos nas áreas da educação, cultura, saúde e assistência social por 13 anos. Atualmente é membro do Instituto Clio, consultor do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável e mediador de leitura.
Camila Martins, Gislene Gambini e Glauco Lenzi são livreiros da Livraria Novesete (SP), especializada em títulos infantojuvenis.
Claudia Amorim é jornalista e sócia da livraria infantojuvenil Malasartes (RJ).
Cristiane Rogerio é jornalista e pesquisadora de cultura e infância, professora e coordenadora pedagógica da pós-graduação O Livro Para a Infância: Textos, Imagens e Materialidades d’A Casa Tombada/Faculdade de Conchas – Facon (SP).
Daniela Portella e Letícia Seles Xavier são da equipe infantil da Livraria da Vila, unidade Fradique (SP).
Denize Bianchi Silveira Carvalho e Priscila Silveira Carvalho são livreiras e proprietárias da Distribuidora Casa de Livros (SP).
Evie Milani é livreira do Espaço Cortez (SP).
Fernanda Passamai Perez é graduada em Letras, mestranda em Ciência da Informação e especialista em Literatura Infantojuvenil. Concebeu o clube de leitura Vilalê e atua como mediadora de leitura na biblioteca Tatiana Belinky, ambos na Escola da Vila (SP).
Glória Valladares Grangeiro é bibliotecária especialista em literatura infantojuvenil. É membro do Projeto de Alfabetização de Ribeirinhos da Amazônia e coordenadora do Projeto Leitura no Sítio (RO).
Inês De Biase Coordenou a elaboração do livro Bibliotecas Infantis – Um Programa Para Pequenos Leitores das Bibliotecas Parque do Estado do Rio de Janeiro e é coordenadora de Projetos de Leitura das bibliotecas da Escola Parque (RJ).
João Luís Ceccantini é professor de Literatura Brasileira da UNESP – FCL Assis.
Lourdes Atié é consultora pedagógica das redes pública e privada de ensino (SP) e coordenadora da comissão de Seleção do Prêmio Vivaleitura.
Lucélia Martins de Souza é geógrafa, agente do brincar, estudante de Educomunicação pela ECA-USP e atua como formadora e articuladora em ações educativas e culturais para a formação de leitores e mediadores.
Malu Custódio Souto é proprietária da Livraria Companhia Ilimitada (SP), especializada em literatura infantojuvenil.
Maria Angela Aranha é sócia da Livraria Casa de Livros (SP), especializada em literatura infantojuvenil.
Maria das Graças Monteiro Castro é professora da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da UFG, votante da FNLIJ e membro titular do Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura.
Maria de Remédios Ferreira Cardoso é diretora da Educação Infantil da Escola Móbile (SP).
Maria José Nóbrega é mestre em Filologia e Língua Portuguesa pela USP e consultora pedagógica de várias escolas e editoras de São Paulo.
Mario Hélio é jornalista, escritor, editor e professor, mestre em História e doutor em Antropologia (Universidade de Salamanca, Espanha). Foi o coordenador da programação literária da Fliporto de 2009 a 2015.
Paola Pio da Costa é professora do colégio Maristinha Pio XII (DF) e dá consultoria em escolas e em projetos de leitura e literatura.
Renata Junqueira de Souza é livre-docente em Literatura e Ensino, professora da Unesp e coordenadora do Centro de Estudos em Leitura e Literatura Infantil e Juvenil.
Rosa Maria Ferreira Lima é bibliotecária, especialista em leitura e formação de leitores, coordenadora estadual do Proler (MA) e votante da FNLIJ.
Rúbia Noguchi e Mariana Amargós são livreiras especialistas em literatura infanto-juvenil da Panapaná Livraria Infantil (SP).
Silvia Oberg é graduada em Letras (PUC-Campinas), doutora em Ciência da Informação e Educação (ECA-USP), especialista em literatura infantil e juvenil. Trabalhou na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato (SP) como pesquisadora em leitura e literatura. Atua em programas de formação de mediadores de leitura, presta consultoria a editoras, é crítica literária e curadora de prêmios de literatura infantil e juvenil.
Stela Maris Fazio Battaglia é historiadora com doutorado na área de Linguagem e Educação (USP). Coordena projetos de formação de mediadores de leitura com enfoque em literatura infantil e juvenil.
Volnei Canônica é especialista em literatura infantil e juvenil e diretor do Centro de Leitura Quindim.
Zenaide Denardi é contadora de histórias e atriz, e já trabalhou no departamento de marketing cultural da Livraria Cultura (SP). 
 


Prêmio
Vencedor do prêmio, Odilon Moraes é um “lapidador de histórias”. Autor de Rosa, Odilon Moraes é o vencedor do Troféu Monteiro Lobato de Literatura Infantil, concedido pela CRESCER, fruto de um trabalho meticuloso de pesquisa e de refinamento com a arte da ilustração e da escrita que se refletem em livros excepcionais


domingo, 26 de maio de 2019

Coisas de Infância: um livro para o Século XXI

Coisas de Infância: um livro para o Século XXI

Oportunizar a estudantes da Especialização em Educação da FaE/UFPel um encontro profícuo com a escrita foi o objetivo desse e-book. Como as infâncias são mencionadas na literatura? Nela, há livros que indicam atributos típicos de meninas e meninos? Como foram nossas infâncias? Nelas havia "coisas de menina"? E coisas só para meninos? O intuito foi deleitar-se com a memória de cada um e, ao mesmo tempo, refletir sobre os scripts de gênero ou cultura que legitima, demarca e estabelece modos de ser para as masculinidades e as feminilidades (FELIPE, GUIZZO & BECK, 2013).
O E-book será apresentado em forma de Sarau literário no dia 13/07, a partir das 10 horas, no Mercado Central, no Centro Histórico de Pelotas. Quer conhecer a "Apresentação"? Leia a seguir...

Apresentação
Cristina Maria Rosa
Herdeiros da arte de contar, nós humanos, narramos e, desse modo, existimos: como sujeitos e como espécie. É através da narrativa que nos é possibilitado criar vínculos com a cultura circundante, aprender e ensinar uns aos outros, ouvir e falar, ler e escrever, pensar, refletir, registrar. A narrativa é “um modo de conformação de realidades, em que a passagem do tempo está claramente configurada, mobilizando, para isso, elementos de linguagem” (GETHL, 2014). É arte, dolce e utile, e demanda um “outro” para existir: quem escreve deseja e precisa ser lido.
Com o objetivo de oportunizar a estudantes da Especialização em Educação um encontro profícuo com a escrita, propus que, após refletirem sobre como as infâncias são mencionadas na literatura, relatassem “coisas de menina” e “coisas de menino” de seus tempos de criança. O intuito foi deleitar-se com a memória de cada um e, ao mesmo tempo, refletir sobre os scripts de gênero ou cultura que legitima, demarca e estabelece modos de ser para as masculinidades e as feminilidades (FELIPE, GUIZZO & BECK, 2013).
Os procedimentos tiveram início com o estudo da literatura infantil e, em especial, da literatura paradidática, em sala de aula. A fim de exemplificar o gênero, escolhi dois livros recentes – Coisa de Menina e Coisa de Menino, de Pri Ferrari – para a leitura em voz alta. Típicos do Século XXI, apresentam conceitos e convidam o leitor a pensar sobre o que é “coisa de...”.
Os resultados da proposição – conhecimento do gênero literário e produção de escritas para integrar o e-book com narrativas factuais sobre suas infâncias – indicam que estudantes tendem a valorizar o literário quando se defrontam com a necessidade de produzi-lo. Boa leitura!

Leia um dos Contos...





Alfabeteando...

Olá, bem vindo!

Um "Alfabeto à parte" foi criado em setembro de 2008 e tem como objetivo discutir a leitura e a literatura na escola. Nele disponibilizo o que penso, estudos sobre documentos raros e meus contos, além de uma lista do que gosto de ler.

Em 2013 concluí pesquisa sobre o Abecedário Ilustrado Meu ABC, de Erico Verissimo, publicado pelas Oficinas Gráficas da Livraria do Globo em 1936. O lançamento do livro e sua repercussão estão no Blog. Alguns artigos sobre a pesquisa também. Leia e dê sua opinião.

A novidade, em 2015, foi a inauguração da Sala de Leitura Erico Verissimo, um sonho antigo que agora se realiza. Em 2016, o processo de restauro da Biblioteca na Escola Fernando Treptow, inaugurada em 25 de novembro.

Em 2017 estou produzindo a Biografia de João Bez Batti. Através de relatos pessoais nos quais a criançaque João foi é a personagem principal, recosntruo, com narrativas litetárias, seu descobrimento como escultor. Bilíngue (português e italiano) o livro tem data para ser lançado: 11/11/2017.

Abraço

Cristina

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