quinta-feira, 12 de outubro de 2017

As memórias de Infância de João Bez Batti - livro digital



João Bez Batti, o personagem
Cristina Maria Rosa


João Bez Batti em seu ambiente natural – a casa, menos, o atelier, sempre – é um sujeito em estado profundo de criação.
Uma visita lhe atrapalha.
Um papinho furado lhe incomoda.
Manifestações ao “grande artista” são dispensáveis.
- Elas gostam do personagem, costuma dizer.
Assim que, ou eu me credenciava imediatamente, ou perderia a oportunidade de acessar a ferramenta: as mãos de João na pedra.
O cenário onde vive esse personagem é deslumbrante. Eu nunca vira um atelier a campo aberto. Rochas – basaltos de todas as cores e tamanhos – povoam cada metro importante da área do terreno no qual estão assentados os locais por onde circula o scultore e suas companhias: um pomar, as flores, os animais domésticos e selvagens, o ajudante de muitos anos e as edificações.
Amante das frutas no pé, as rochas disputam com pitangueiras, pessegueiros, ameixeiras e até uma videira, todas pretensiosamente sem veneno, o espaço e o direito de se tornarem arte. Das mãos de João já comi pitangas, ameixas e pêssegos. Espero comer as uvas.
Amante dos animais, a quem trata “na pancadaria” com um matador de moscas, sobre as rochas gatos se adaptaram como cabras: elegantes, serpenteiam entre frestas, desde filhotinhos e bebem leite em um côncavo que o neto Pedro aprofundou lixando.
Amante de boa música afastou-se mato adentro e, repleto de projetos, maquetes, rochas, descartes mais ferramentas de todos os tipos e tamanhos, esculpe o que lhe vem à mente desde guri.
Ali, no seu espaço restrito, poucos adentram.
Eu queria ir lá, desde sempre.
Sonhava em pisar seu solo e produzir uma imagem de meus pés nele. Depois perguntar para ninguém conseguir responder: onde estou?
No dia em que cheguei, João me recebeu como a uma turista. E por um tempo – curto, pois não tenho tempo para firulas quando se trata de amizade – eu deixei que ele assim pensasse, observando se poderíamos ir além, ele e eu, como dois iguais: humanos que vivem da imaginação, que transformam o que pensam em arte, que emocionam e que não vivem sem reconhecimento.
Observado o atelier, uma sala imensa e repleta de obras dos muitos anos de produção do escultor que se localiza na casa principal, solicitada a permissão para uma ou duas imagens, não resisti e confessei o desejo de ver a oficina. Para dar força ao desejo, retórica:
- Atravessei o Rio Grande do Sul para te conhecer...
Parece que deu certo, pois ainda hoje, passados alguns meses desse primeiro dia, João, quando me apresenta a outros de lá – amigos, conhecidos, familiares – menciona a frase de efeito.
E o efeito foi ter empreendido atrás dele, seguindo seus passos rápidos, uma caminhada pelos muitos metros que separam a casa branca com flores nas janelas em direção às oficinas. Agora, ao escrever, me vem à mente a surpresa com seu andar rápido neste dia frio e seco. Era 31 de julho de 2016 e eu não queria mais ir embora de Bento Gonçalves.
Sanguíneo surge desse contexto. É a marca que o conhecimento das cores do basalto ressaltada pela rega das mãos de João sobre a pedra esculpida produziram em mim. Sanguíneo – uma cor inventada por Bez Batti para um raro matiz de basalto e uma de suas preferidas – foi o nome que dei ao projeto biográfico que se iniciava. Ele nascia com as características da cor e revelava intensidade, emoção, preferência. Gestado o primeiro insight – escrever –, busquei papel e fiz os primeiros registros. Os bilhetinhos que ainda guardo sustentaram o primeiro grupo de textos, todos escritos na primeira e segunda semana de agosto. A história peculiar – a de João descoberto artista ainda na adolescência a partir de um teste psicológico na empresa na qual trabalhava – atiçou meu espírito aventureiro e desencadeou a certeza de que sim, eu encontraria as longevas pelotenses e as apresentaria a João.
Depois de escritos os primeiros textos e tornando-os uma coleção de cartões postais com o intuito de presenteá-lo no aniversário, decidi mandar, pelo correio, Longevas Pelotenses ao escultor. Chefe que havia sido dos Correios em Bento Gonçalves, nunca imaginei que demoraria a receber. Por um tempo que considerei longo demais, nem sinal de João. Até que, em uma tarde, o telefone tocou.
Era João.
- Cristina? Estou com o Longevas Pelotenses nas mãos...
E retomamos a emoção da escrita e da leitura, os dois com a voz embargada, sabedores do vínculo.
Quando nos vimos novamente, na exposição festa de aniversário, Longevas Pelotenses se encontrava nas paredes da Galeria: era uma das obras de arte expostas lá e pude então, ver o impacto que meu texto havia causado nesse italiano que não tem vergonha de chorar. Nesse dia, li, em voz alta e para João, outro de meus textos: Mãos. Nele, reconheço, consegui produzir som através das palavras escritas, como ele mesmo faz quando bate-escuta-bate nas rochas.
Criado o laço, aparadas as distâncias, Bento Gonçalves e o atelier de João, localizado nos Caminhos de Pedra, ficou pertinho. Outras vezes nos vimos, muitas histórias passei a ouvir. Parte significativa delas, a respeito da infância do João. O projeto, assim, foi se delineando.
Também eu tinha uma rocha diante de mim.
Também eu tive que bater, ouvir, quebrar, selecionar, descartar, conter, lixar, polir, mostrar.
Um personagem e um sujeito.
O personagem – o escultor João Bez Batti - é bem mais que os textos em que memórias há.
O sujeito – um longevo brasileiro nascido em Volta do Freitas e amadurecido como os seixos – é mais que o personagem.
O escritor? O escritor acorda o personagem, como João, que acorda as pedras...
Para acesar o livro digital, escreva para cris@ufpel.thce.br e solicite.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Leituras no Casarão

Outubro literário na Sala de Leitura Erico Verissimo

Criada para promover a leitura literária no espaço acadêmico, a Sala de Leitura Erico Verissimo abre o mês de outubro em novo local: um espaço lúdico no Casarão 8.
Em comemoração ao mês da criança, integra-se a outras atividades da Primavera dos Museus, oferecendo leitura literária a crianças e suas escolas.
Durante todo o mês de outubro, a sala estará ambientada para receber crianças acompanhadas por seus professores e familiares. Para agendar sua escola, é só ligar para o telefone da Sala de Leitura.
A Fada Madrinha, o Senhor Sabetuuuudo, a Branca de Neve e a Chapeuzinho Vermelho estarão esperando no local, para ler para as crianças. O Príncipe Sapo, a Sininho, a Bruxa Meméia e a Girafalda Bichófila já escolheram seus livros prediletos e não vão perder a oportunidade de mostrar quem sabe ler melhor.
Neste mês, também, todas as leituras para o grupo de crianças do CRAS serão realizadas no Casarão 8, às quartas-feiras, das 9 às 11 horas.
Veja o cronograma e participe!

Cronograma de Outubro
Dia e hora
Programa
Onde
30/09 - Sábado
16-17 horas
Leituras Literárias no Primavera dos Museus
Sala de Leitura
Casarão 8
05/10
9-11 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
06/10
15-18 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
12/10
9-11 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
13/10
15-18 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
19/10
9-11 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
20/10
15-18 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
25/10
9-11 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
26/10
15-18 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8



Alfabeteando...

Olá, bem vindo!

Um "Alfabeto à parte" foi criado em setembro de 2008 e tem como objetivo discutir a leitura e a literatura na escola. Nele disponibilizo o que penso, estudos sobre documentos raros e meus contos, além de uma lista do que gosto de ler.

Em 2013 concluí pesquisa sobre o Abecedário Ilustrado Meu ABC, de Erico Verissimo, publicado pelas Oficinas Gráficas da Livraria do Globo em 1936. O lançamento do livro e sua repercussão estão no Blog. Alguns artigos sobre a pesquisa também. Leia e dê sua opinião.

A novidade, em 2015, foi a inauguração da Sala de Leitura Erico Verissimo, um sonho antigo que agora se realiza. Em 2016, o processo de restauro da Biblioteca na Escola Fernando Treptow, inaugurada em 25 de novembro.

Em 2017 estou produzindo a Biografia de João Bez Batti. Através de relatos pessoais nos quais a criançaque João foi é a personagem principal, recosntruo, com narrativas litetárias, seu descobrimento como escultor. Bilíngue (português e italiano) o livro tem data para ser lançado: 11/11/2017.

Abraço

Cristina