domingo, 6 de maio de 2012

Notas sobre "Meu ABC" de Erico Verissimo

RESUMO: Inserido no universo editorial brasileiro dos anos 30 e de autoria do maior ficcionista gaúcho do século XX, Meu ABC foi elaborado por Erico Verissimo e publicado em 1936 pelas Oficinas Gráficas da Livraria do Globo. Ao considerar o período em que foi escrito e outros impressos com intenção similar, pode-se afirmar que o abecedário tem poucos vínculos com a literatura de Erico e, pedagogicamente, diferencia-se dos livros para alfabetização e leitura em circulação. Em protocolos de leitura inseridos no abecedário, Verissimo revela a intenção de inserir as crianças no mundo da leitura literária e indica a criação de uma coleção de livros para a infância representada pela edição de onze livros infanto-juvenis em apenas quatro anos (1935 a 1939) com uma tiragem total de 194.500 exemplares. INTRODUÇÃO Erico Verissimo é, indiscutivelmente, o ficcionista que, desde muito menino, escreveu o que pensava. Inserido na vida da capital gaúcha ainda na adolescência, almejando viver no Rio de Janeiro ou em São Paulo, agregou o necessário – o trabalho na Seção Editora da Livraria do Globo – com seus projetos pessoais – a família e a literatura. E não se pode afirmar em que lócus – o trabalho ou o prazer – se encontram cada uma de suas publicações, mesmo o abecedário Meu ABC . Lembrando os tempos das “vacas magras” e das leituras possíveis, Verissimo (1981) escreveu: “Foi na máquina de escrever Underwood desse armazém que alimentava os soldados do 6º Regimento de Artilharia Montada e do 8º de Infantaria, que fiz às escondidas a minha primeira literatura. Que livros ficaram ligados a essa época um tanto opaca de minha vida? Lembro-me principalmente de Os Sertões, de Euclides da Cunha, cujo estilo me fascinava com sua força máscula, a sua irregularidade, os seus imprevistos, os seus períodos de aço” (VERISSIMO, 1981:9-10). Utilizando-se de uma expressão do ficcionista para quem "nem todas as águas turvas são necessariamente profundas", Paulino (1996) caracteriza Erico como um sujeito que se manteve, com muita lucidez, próximo da comunicabilidade própria dos que sabem contar bem uma boa historia, uma vez que estava consciente de que vanguardismo não equivale à qualidade literária (PAULINO, 1996:112). Assim, Meu ABC, um dos livros que ele dedicou à iniciação da infância no mundo da leitura, e que, coincidentemente foi escrito no tempo em que Erico foi pai, pode ter sido projetado com o intuito de, sim, inserir-se em um momento da vida nacional, mas, pela sua presença em uma coleção para a infância e pelo impacto nas produções da Seção Editora das Livrarias do Globo, parece ter merecido as mediações do contador de histórias. E onde está Meu ABC? Quantas edições ele mereceu? Quantas crianças puderam ser iniciadas no mundo da leitura pelas suas letras em ordem alfabética? Quantas puderam imaginar o mundo como uma bola chata nos pólos? Contar a história de Meu ABC, ausente dos acervos particulares e das bibliotecas no Rio Grande do Sul e desconsiderado pelos trabalhos acadêmicos, se tornou um desafio. Fruto de um garimpo paciente, constante, incansável, encontrar um exemplar de Meu ABC não foi fácil. Encontrar um segundo, uma cópia reprografada, considerado sorte. Perceber que os dois eram diferentes, vida de pesquisador. Uma das maiores curiosidades – a tiragem de Meu ABC – pode ser dirimida quando se conhece a obra O contador de Histórias, organizado em homenagem aos 40 anos de vida literária de Erico Verissimo por Flávio Loureiro Chaves em 1972. Em páginas pré-textuais, uma “Bibliografia de Erico Verissimo”, dividida entre Edições Brasileiras, Obras publicadas em Portugal e Traduções (em inglês, espanhol, alemão, italiano, francês, holandês, húngaro, norueguês e russo) oferece uma apresentação de títulos, edições, impressões, data e tiragem de todas as obras de Verissimo entre 1932 e 1972 . É nesta Bibliografia que se descobre que Meu ABC teve três impressões, uma em 1936, uma em 1940 e a última em 1945. Sua tiragem? A primeira, 5.500 exemplares. A segunda, 12.000 e a terceira, 10.000. Nada insignificante. Fantoches, primeira obra de Verissimo, publicada quatro anos antes, havia vendido quatrocentos ou quinhentos dos 1.500 que haviam sido impressos (VERISSIMO, 1995:251-252). As informações obtidas no texto de Chaves (1972) possibilitam afirmar que o abecedário de Verissimo teve uma excelente acolhida entre o público: sua tiragem totalizou 27.500 exemplares em nove anos. Foi possivelmente a proposição de uma “Literatura para crianças”, inicialmente pensada através de um abecedário, que apresentou o ficcionista às famílias e deu sustentação aos seus primeiros anos de vida literária. Acrescido de seus demais títulos infanto-juvenis publicados entre 1935 e 1939, chega-se a impressionante soma de 194.500 exemplares publicados em 10 anos , uma façanha nos anos 30 do século XX. Assim, pode-se afirmar que diferentemente do que se consolidou posteriormente – a localização de Erico no campo da produção de narrativas para adultos – foi a literatura para crianças produzida intensamente, com tiragens numerosas e em curto espaço de tempo que “apresentou” Verissimo para as famílias gaúchas. Agregado a opiniões manifestadas em outros impressos, sucesso de um programa de rádio endereçado aos pitocos e protocolos de leitura inseridos na páginas de seus livros, o resultado do investimento de Verissimo na literatura para as crianças não pode ser desconsiderado. A OBRA DE VERISSIMO PARA CRIANÇAS A existência de um projeto pedagógico-literário de parte do ficcionista Erico Verissimo pode ser observada na medida em que se conhece sua obra para a infância, especialmente através dos protocolos de leitura nela inseridos e da produção de tantos impressos em um curto espaço de tempo. A obra que Verissimo deixou poderia ser hoje, e com alguma licença, considerada “uma literatura paradidática” de acordo com Gomes (2003:122). A autora argumenta que os onze títulos podem ser “distribuídos em dois subgrupos pelos estudos literários que a ela se dedicam”: um primeiro grupo, “considerado stricto sensu de textos de literatura infantil, é composto por seis livros, reunidos, em 1965, no volume Gentes e Bichos. O segundo grupo, segundo a estudiosa, “é formado por cinco textos, integrado por narrativas mais voltadas para o público escolar (Meu ABC, de 1936, e Aventura no Mundo da Higiene, de 1939), por uma biografia (A Vida de Joana D’Arc, de 1935) e por narrativas históricas (As Aventuras de Tibicuera, de 1937, e Viagem a Aurora do Mundo, de 1939)”. Período em que Erico Veríssimo se afirma como autor de livros para crianças, tanto pelo volume, como pela qualidade de sua obra, os anos 30 do século XX oportunizam a evidência, para Borges (2003) de um “elenco de autores engajados nesse tipo de proposta, cujo grande nome antecessor e renovador” foi Monteiro Lobato. Para a pesquisadora, não é “casual” que educação e literatura infantil vivam uma renovação entre os anos 20 e 30, “inclusive favorecidas por políticas públicas do Ministério da Educação e Saúde”. Acredita, no entanto, que a “tradição intelectual a que Erico Veríssimo se filia” deve ser pensada “numa dupla chave, com evidentes articulações: de um lado, uma literatura mais didática, sobretudo referente à história do Brasil ou do que se conhecia como educação moral e cívica; de outro, uma literatura infantil, muito pobre antes dos anos 1920, mas que começava a crescer” (BORGES, 2003:123-124). O primeiro livro produzido por Erico como literatura pra a juventude foi A vida de Joana d’Arc (VERISSIMO, 1935). Coincidentemente, é o ano em que nasce Clarissa, a primeira filha do escritor. Em 1936, ano do nascimento de Luis Fernando, o segundo filho de Verissimo, quatro novos livros vem a público, três de literatura infantil – As aventuras do avião vermelho, Os três porquinhos pobres e Rosa Maria no castelo encantado – reeditados até hoje, mais o abecedário Meu ABC. Dando continuidade a se projeto, Verissimo publica, em 1937, As aventuras de Tibicuera. Nele, em uma espécie de prefácio, conversa com os leitores e instiga-os a realizarem exercícios com a língua materna: “Eu poderia encher este livro com notas explicativas de certas palavras. Prefiro, entretanto, que vocês recorram ao dicionário, habituando-se a consultá-lo em casos de dúvida ou desconhecimento. É um bom exercício não só de paciência como também de honestidade intelectual. E no fim das contas sempre gravamos melhor na memória o significado das palavras que nos levaram a folhear dicionários” (VERISSIMO, 1947, p. 9). No ano seguinte, 1938, foi a ano em que Erico publicou O urso com música na barriga e, em 1939, dois novos livros de literatura para crianças foram postos em circulação: A vida do elefante Basílio e Outra vez os três porquinhos. Neste mesmo ano, 1939, foi a vez de Aventuras no mundo da higiene – um livro destinado à escolarização e possivelmente inserido nos projetos do Estado Novo para a Infância . Viagem à aurora do mundo, completam o acervo dedicado ao público infanto-juvenil do escritor gaúcho. Nas páginas iniciais, Erico dirige-se aos leitores, indicando a filiação de “Aventuras”: "Este livro – consequência dum feriado que concedi à imaginação – não tem nenhum compromisso com a psicologia nem com a verossimilhança e muito menos com os problemas sociais no momento. Trata-se duma fantasia quase didática, na forma de romance e seu objetivo principal é dar ao leitor uma idéia do mundo pré-histórico, tal como os cientistas o reconstituíram" (VERISSIMO, 1939, p. 7). Produção, circulação e consumo são categorias acionadas por Vera Aguiar (1994) para observar a obra de Verissimo. Com o intuito de “identificar e caracterizar os fatores que interferem na atividade do escritor como homem de seu tempo com responsabilidade social definida”, a estudiosa se propõe à análise da produção de Erico e conclui pela não ocasionalidade desta, além de observar que “embora não retorne à literatura infanto-juvenil” a partir nas décadas posteriores, “Erico acompanha de perto as constantes reedições de suas obras (AGUIAR, 2005:43-44). Em suas palavras: "A literatura infanto-juvenil de Erico Verissimo nasce de um projeto bem definido, não se constituindo apenas de uma produção episódica e circunstancial. Está, nesse sentido, em consonância com a crescente efervescência da época, quando há expressivo aumento do número de obras e o volume das edições, bem como o interesse das editoras, algumas delas, dedicadas quase que exclusivamente ao mercado constituído pela infância (AGUIA, 2005:45). Ao observar o momento histórico e o resultado da investida de Verissimo, Aguiar (2005) afirma a intenção do ficcionista em constituir um “projeto literário consciente”. Seu argumento mais forte, a escrita de onze livros de literatura para crianças e jovens. Em O contador de histórias para crianças e jovens, a estudiosa afirma que o projeto se evidencia quando “o autor deixa claros seus objetivos junto ao público infanto-juvenil e acompanha suas constantes reedições”. Para ela, é evidente a intenção de Verissimo em “formar e informar seus leitores”, valendo-se “da fantasia como meio de aproximação e sedução” (AGUIAR, 2005, p. 43). Desse modo, não seria por acaso, nem eventual, nem mesmo episódica e circunstancial a elaboração, publicação e edições das obras do escritor sulino. Pelo contrário, indicariam seu desejo e projeto". Para corroborar essa linha de argumentos e afirmar que sim, Erico projetou seus livros e destinou-os à infância, utilizo-me de palavras do escritor nas páginas pré e pós-textuais de Meu ABC, nas quais apresenta e argumenta em favor da leitura. Com um texto intitulado “O mundo das maravilhas”, Erico Verissimo expõe parte de seu pensamento a respeito da leitura e do livro: "O mundo das maravilhas é o mundo dos livros. Vejam essa figura... Cinco irmãos, num dia de chuva, estão se divertindo com os livros do Globo. O mais velho lê romances de aventuras da Coleção Universo. Os mais moços lêem os livros da “Biblioteca Nanquinote” e as meninas se deliciam com as aventuras de Heidi e de Alice, na Terra das Maravilhas. Todos os meninos e meninas devem pedir a seus pais os belos livros de história que a Livraria do Globo publica. Todos trazem figuras coloridas! Todos são agradáveis de ler!" (VERISSIMO, 1936, s/nº). Descrevendo a “Biblioteca de Nanquinote” como uma coleção de livros “lindos entre os mais lindos” e afirmando que as crianças brasileiras ficaram “alvoroçadas” depois que os viram, uma mensagem também informa que “os pais de família estão satisfeitos porque podem dar a seus filhos livros bons, bonitos e interessantes por 4$000 o volume”. O escritor dessas informações, provavelmente o próprio Verissimo, argumenta que todos são Edições da Livraria do Globo de Porto Alegre e que as crianças encontram em cada um deles, “uma aventura engraçadíssima, ao lado de figuras maravilhosas em muitas cores!”. Referências: PAULINO, Graça. Érico Veríssimo e a iniciação do Leitor em a Vida de Joana D’arc. Cadernos do Centro de Pesquisas Literárias da PUCRS. v.2, n.3, p. 111-117, 1996. Porto Alegre: PUCRS, 1996. ROSA, Cristina. Onde está meu ABC de Erico Verissimo? Trabalho Final de Pós-Doutorado. Belo Horizonte: UFMG, 2011. VERISSIMO, Erico. Meu ABC. Porto Alegre: Globo, 1936. VERISSIMO, Erico. Solo de Clarineta. Memórias I. 20ª Ed. São Paulo: Globo, 1995. VERISSIMO, Erico. Solo de Clarineta. Memórias II. 9ª Ed. São Paulo: Globo, 1995. ZILBERMAN, Regina. A literatura no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1992. ZILBERMAN, Regina. Pedro Wayne – Pessoa de Letras. In: ROSA, Cristina. Um alfabeto à parte: Biobibliografia de Pedro Rubens de Freitas Weyne – O Pedro Wayne. Pelotas: EGUFPel, 2009.

Sobre Charles Perrault

Contes de Ma Mère l'Oye é o nome em francês dos Contos da Mãe Gansa publicados em 1697. A obra constitui-se de uma compilação de contos populares que, na época, eram menosprezados. A coletânea é composta de oito contos inicialmente, mas posteriormente mais três foram incorporados. A figura da Mãe Gansa já demonstra a aproximação de Perrault com as narrativas populares. Mãe Gansa, numa ilustração da edição original, assemelha-se a uma velha fiandeira que conta histórias. Imortaliza-se, assim, este símbolo no mundo literário. Os oito contos iniciais são: La Belle au Bois Dormant - A Bela Adormecida no Bosque Le Petit Chaperon Rouge - Chapeuzinho Vermelho La Barbe-Bleue - O Barba Azul Le Maître Chat ou Le Chat Botté - O Gato de Botas Les Fées - As Fadas Cendrillon ou La Petit Pantoufle de verre - A Gata Borralheira Riquet à la Houppe - Henrique, o topetudo Le Petit Poucet - O Pequeno Polegar Os três contos incluídos posteriormente na coletânea são: A Pele de Asno Os Desejos Ridículos Grisélidis Na verdade, em metade desses contos não há fadas, assim categorizá-los como contos de fadas não seria o melhor. Eles são contos maravilhosos, uma vez que aparecem elementos fora da realidade concreta, inclusive as fadas (boas ou más). No conto Chapeuzinho Vermelho, o lobo personificado é o elemento maravilhoso; em Barba Azul, há a chave com a mancha de sangue que não pode ser lavada; em O Gato de Botas, também há a personificação do gato, além da presença do Ogre e suas transformações; enquanto em O Pequeno Polegar existem as botas de sete léguas. Perrault nasceu em Paris, no dia 12 de janeiro de 1628 e faleceu em Paris, em 16 de maio de 1703. Escritor e poeta francês do século XVII, estabeleceu bases para um novo gênero literário, o conto de fadas, além de ter sido o primeiro a dar acabamento literário a esse tipo de literatura, feito que lhe conferiu o título de Pai da Literatura Infantil. Contemporâneo de Jean de La Fontaine, Perrault também foi advogado e exerceu algumas atividades como superintendente do Rei Luís XIV de França. A maioria de suas histórias ainda hoje são editadas, traduzidas e distribuídas em diversos meios de comunicação, e adaptadas para várias formas de expressões, como o teatro, o cinema e a televisão. Perrault entrou para a Academia Francesa de Letras em 1671. Com pouco mais de 50 anos, trocou o serviço ativo pela educação dos filhos. Movido por esse desejo, começou a registrar as histórias da tradição oral contadas, principalmente, pela sua mãe ao pé da lareira nomeados posteriormente de “Contes de ma mère l'Oye” ou contos da minha mãe gansa, indicando que todos teriam a sua... Com quase 70 anos, publicou um livro de contos conhecido, na época, como "contos de velha", "contos da cegonha" ou "contos da mamãe gansa". A primeira edição, de onze de janeiro de 1697, recebeu o nome de "Histórias ou contos do tempo passado com moralidades" (Histoires ou contes du temps passés, avec des moralités), que remete à famosa moral da história presente ao final de cada texto. Contos da Mamãe Gansa. Quem foi a Mamãe Gansa? Ela existiu? "Mamãe Gansa" é o nome que foi dado a uma arquetípica mulher do campo, a qual teria sido a origem das histórias e cantigas atribuídas à personagem Mamãe Gansa. Embora nenhum escritor jamais tenha sido identificado sob tal nome, a primeira menção conhecida a ele aparece em 1660 em um jornal francês, indicando que a expressão era familiar. Contes de ma mère l'Oye ou "Contos da minha Mãe Gansa", a publicação de Charles Perrault, marca o verdadeiro início da história da personagem. Curiosidades: 1. Existem relatos familiares para turistas que visitam Boston, que a Mãe Gansa original era uma habitante local chamada Mary Goose. De acordo com uma historiadora da cidade, verdadeira Mãe Gansa era uma pessoa real que viveu em Boston por volta de 1660. Supostamente, ela seria a segunda esposa de Isaac Goose, e levou os dez filhos que teve para morar com os dez que Isaac já tinha. Após a morte de Isaac, Elizabeth foi viver com sua filha mais velha, casada com um editor. Mary ou "Mother Goose" costumava cantar canções para os netos o dia inteiro, e outras crianças afluíam para ouví-las. 2. Em The Real Personages of Mother Goose (1930), Katherine Thomas argumenta que a imagem e o nome "Mãe Gansa" pode ter sido baseado em antigas lendas sobre a esposa do rei Roberto II, da França. "Bertha Pés-de-Ganso" é freqüentemente citada em lendas francesas como a narradora de contos incríveis que arrebatavam as crianças. 3. Em 1729, Robert Samber lançou uma tradução em inglês da coleção de Perrault, Histories or Tales of Past Times, Told by Mother Goose. A primeira aparição pública das histórias da Mãe Gansa no Novo Mundo ocorreu em Worcester, onde o impressor Isaiah Thomas reimprimiu o livro de Samber sob o mesmo título em 1786. 4. John Newbery publicou uma compilação de cantigas de ninar inglesas, Mother Goose's Melody, (Londres, sem data, cerca de 1765), que mudou o foco dos contos de fadas para cantigas de ninar, e em inglês esse era o principal significado da Mãe Gansa até recentemente. O conto mais conhecido A versão impressa mais antiga é de Charles Perrault, Le Petit Chaperon Rouge, retirada do folclore francês foi inserida no livro Contos da Mamãe Gansa. A historia de Perrault retrata uma "moça jovem, atraente e bem educada", que ao sair de sua aldeia para visitar a avó, é engana pelo lobo, que come a velha e arma uma armadilha para a a menina que termina sendo devorada, sem final feliz. Essa versão foi escrita para a corte do rei Louis XIV, no final do século 17, destinada ao público que o rei entretinha com festas extravagantes e prostitutas, que pretendia levar uma moral as mulheres para perceberem os avanços de maus pretendentes e sedutores. Um coloquialismo comum da época era dizer que uma menina que perdeu a virgindade tinha "visto o lobo". O autor explica a moral da historia ao fim do conto nos seguintes termos: A partir desta história se aprende que as crianças, especialmente moças jovens, bonitas, corteses e bem-educadas, não se enganem em ouvir estranhos. E não é uma coisa inédita se o Lobo, desta forma, arranjar o seu jantar. Eu chamo Lobo, para todos os lobos que não são do mesmo tipo do lobo da história, há um tipo com uma disposição receptiva - sem rosnado, sem ódio, sem raiva, mas dócil, prestativo e gentil, seguindo as empregadas jovens nas ruas, até mesmo em suas casas. Ai de quem não sabe que esses lobos gentis são de todas as criaturas como as mais perigosas! Referências O texto foi organizado por ROSA, Cristina, a partir de várias leituras encontráveis em: Literatura Infantil - Teoria, análise, didática (1981),A Literatura Infantil. COELHO, Nelly Novaes. Dicionário Crítico da Literatura Infantil/Juvenil (1983) e COELHO, Nelly Novaes. Panorama Histórico da Literatura Infantil/Juvenil (1984), OLIVEIRA, Cristiane Madanêlo de. CHARLES PERRAULT (1628-1703). Disponível em: http://www.graudez.com.br/litinf/autores/perrault/perrault.htm. Capturado em 30/3/2012. ANGELOTTI, Cris. http://www.qdivertido.com.br/verpesquisa.php?codigo=9. Contato: chris@angelotti.eti.br PERRAULT, Charles. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Perrault http://www.graudez.com.br/litinf/autores/perrault/obras.htm

Alfabeteando...

Olá, bem vindo!

Um "Alfabeto à parte" foi criado em setembro de 2008 e tem como objetivo discutir a leitura e a literatura na escola. Nele disponibilizo o que penso, estudos sobre documentos raros e meus contos, além de uma lista do que gosto de ler.

Em 2013 concluí pesquisa sobre o Abecedário Ilustrado Meu ABC, de Erico Verissimo, publicado pelas Oficinas Gráficas da Livraria do Globo em 1936. O lançamento do livro e sua repercussão estão no Blog. Alguns artigos sobre a pesquisa também. Leia e dê sua opinião.

A novidade, em 2015, foi a inauguração da Sala de Leitura Erico Verissimo, um sonho antigo que agora se realiza. Em 2016, o processo de restauro da Biblioteca na Escola Fernando Treptow, inaugurada em 25 de novembro.

Em 2017 estou produzindo a Biografia de João Bez Batti. Através de relatos pessoais nos quais a criançaque João foi é a personagem principal, recosntruo, com narrativas litetárias, seu descobrimento como escultor. Bilíngue (português e italiano) o livro tem data para ser lançado: 11/11/2017.

Abraço

Cristina