domingo, 6 de maio de 2012

Sobre Charles Perrault

Contes de Ma Mère l'Oye é o nome em francês dos Contos da Mãe Gansa publicados em 1697. A obra constitui-se de uma compilação de contos populares que, na época, eram menosprezados. A coletânea é composta de oito contos inicialmente, mas posteriormente mais três foram incorporados. A figura da Mãe Gansa já demonstra a aproximação de Perrault com as narrativas populares. Mãe Gansa, numa ilustração da edição original, assemelha-se a uma velha fiandeira que conta histórias. Imortaliza-se, assim, este símbolo no mundo literário. Os oito contos iniciais são: La Belle au Bois Dormant - A Bela Adormecida no Bosque Le Petit Chaperon Rouge - Chapeuzinho Vermelho La Barbe-Bleue - O Barba Azul Le Maître Chat ou Le Chat Botté - O Gato de Botas Les Fées - As Fadas Cendrillon ou La Petit Pantoufle de verre - A Gata Borralheira Riquet à la Houppe - Henrique, o topetudo Le Petit Poucet - O Pequeno Polegar Os três contos incluídos posteriormente na coletânea são: A Pele de Asno Os Desejos Ridículos Grisélidis Na verdade, em metade desses contos não há fadas, assim categorizá-los como contos de fadas não seria o melhor. Eles são contos maravilhosos, uma vez que aparecem elementos fora da realidade concreta, inclusive as fadas (boas ou más). No conto Chapeuzinho Vermelho, o lobo personificado é o elemento maravilhoso; em Barba Azul, há a chave com a mancha de sangue que não pode ser lavada; em O Gato de Botas, também há a personificação do gato, além da presença do Ogre e suas transformações; enquanto em O Pequeno Polegar existem as botas de sete léguas. Perrault nasceu em Paris, no dia 12 de janeiro de 1628 e faleceu em Paris, em 16 de maio de 1703. Escritor e poeta francês do século XVII, estabeleceu bases para um novo gênero literário, o conto de fadas, além de ter sido o primeiro a dar acabamento literário a esse tipo de literatura, feito que lhe conferiu o título de Pai da Literatura Infantil. Contemporâneo de Jean de La Fontaine, Perrault também foi advogado e exerceu algumas atividades como superintendente do Rei Luís XIV de França. A maioria de suas histórias ainda hoje são editadas, traduzidas e distribuídas em diversos meios de comunicação, e adaptadas para várias formas de expressões, como o teatro, o cinema e a televisão. Perrault entrou para a Academia Francesa de Letras em 1671. Com pouco mais de 50 anos, trocou o serviço ativo pela educação dos filhos. Movido por esse desejo, começou a registrar as histórias da tradição oral contadas, principalmente, pela sua mãe ao pé da lareira nomeados posteriormente de “Contes de ma mère l'Oye” ou contos da minha mãe gansa, indicando que todos teriam a sua... Com quase 70 anos, publicou um livro de contos conhecido, na época, como "contos de velha", "contos da cegonha" ou "contos da mamãe gansa". A primeira edição, de onze de janeiro de 1697, recebeu o nome de "Histórias ou contos do tempo passado com moralidades" (Histoires ou contes du temps passés, avec des moralités), que remete à famosa moral da história presente ao final de cada texto. Contos da Mamãe Gansa. Quem foi a Mamãe Gansa? Ela existiu? "Mamãe Gansa" é o nome que foi dado a uma arquetípica mulher do campo, a qual teria sido a origem das histórias e cantigas atribuídas à personagem Mamãe Gansa. Embora nenhum escritor jamais tenha sido identificado sob tal nome, a primeira menção conhecida a ele aparece em 1660 em um jornal francês, indicando que a expressão era familiar. Contes de ma mère l'Oye ou "Contos da minha Mãe Gansa", a publicação de Charles Perrault, marca o verdadeiro início da história da personagem. Curiosidades: 1. Existem relatos familiares para turistas que visitam Boston, que a Mãe Gansa original era uma habitante local chamada Mary Goose. De acordo com uma historiadora da cidade, verdadeira Mãe Gansa era uma pessoa real que viveu em Boston por volta de 1660. Supostamente, ela seria a segunda esposa de Isaac Goose, e levou os dez filhos que teve para morar com os dez que Isaac já tinha. Após a morte de Isaac, Elizabeth foi viver com sua filha mais velha, casada com um editor. Mary ou "Mother Goose" costumava cantar canções para os netos o dia inteiro, e outras crianças afluíam para ouví-las. 2. Em The Real Personages of Mother Goose (1930), Katherine Thomas argumenta que a imagem e o nome "Mãe Gansa" pode ter sido baseado em antigas lendas sobre a esposa do rei Roberto II, da França. "Bertha Pés-de-Ganso" é freqüentemente citada em lendas francesas como a narradora de contos incríveis que arrebatavam as crianças. 3. Em 1729, Robert Samber lançou uma tradução em inglês da coleção de Perrault, Histories or Tales of Past Times, Told by Mother Goose. A primeira aparição pública das histórias da Mãe Gansa no Novo Mundo ocorreu em Worcester, onde o impressor Isaiah Thomas reimprimiu o livro de Samber sob o mesmo título em 1786. 4. John Newbery publicou uma compilação de cantigas de ninar inglesas, Mother Goose's Melody, (Londres, sem data, cerca de 1765), que mudou o foco dos contos de fadas para cantigas de ninar, e em inglês esse era o principal significado da Mãe Gansa até recentemente. O conto mais conhecido A versão impressa mais antiga é de Charles Perrault, Le Petit Chaperon Rouge, retirada do folclore francês foi inserida no livro Contos da Mamãe Gansa. A historia de Perrault retrata uma "moça jovem, atraente e bem educada", que ao sair de sua aldeia para visitar a avó, é engana pelo lobo, que come a velha e arma uma armadilha para a a menina que termina sendo devorada, sem final feliz. Essa versão foi escrita para a corte do rei Louis XIV, no final do século 17, destinada ao público que o rei entretinha com festas extravagantes e prostitutas, que pretendia levar uma moral as mulheres para perceberem os avanços de maus pretendentes e sedutores. Um coloquialismo comum da época era dizer que uma menina que perdeu a virgindade tinha "visto o lobo". O autor explica a moral da historia ao fim do conto nos seguintes termos: A partir desta história se aprende que as crianças, especialmente moças jovens, bonitas, corteses e bem-educadas, não se enganem em ouvir estranhos. E não é uma coisa inédita se o Lobo, desta forma, arranjar o seu jantar. Eu chamo Lobo, para todos os lobos que não são do mesmo tipo do lobo da história, há um tipo com uma disposição receptiva - sem rosnado, sem ódio, sem raiva, mas dócil, prestativo e gentil, seguindo as empregadas jovens nas ruas, até mesmo em suas casas. Ai de quem não sabe que esses lobos gentis são de todas as criaturas como as mais perigosas! Referências O texto foi organizado por ROSA, Cristina, a partir de várias leituras encontráveis em: Literatura Infantil - Teoria, análise, didática (1981),A Literatura Infantil. COELHO, Nelly Novaes. Dicionário Crítico da Literatura Infantil/Juvenil (1983) e COELHO, Nelly Novaes. Panorama Histórico da Literatura Infantil/Juvenil (1984), OLIVEIRA, Cristiane Madanêlo de. CHARLES PERRAULT (1628-1703). Disponível em: http://www.graudez.com.br/litinf/autores/perrault/perrault.htm. Capturado em 30/3/2012. ANGELOTTI, Cris. http://www.qdivertido.com.br/verpesquisa.php?codigo=9. Contato: chris@angelotti.eti.br PERRAULT, Charles. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Perrault http://www.graudez.com.br/litinf/autores/perrault/obras.htm

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Um "Alfabeto à parte" foi criado em setembro de 2008 e tem como objetivo discutir a leitura e a literatura na escola. Nele disponibilizo o que penso, estudos sobre documentos raros e meus contos, além de uma lista do que gosto de ler.

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