quarta-feira, 20 de março de 2013

Como alfabetizar a partir do nome da criança?

Olá
Você sabe como iniciar um processo de alfabetização? Os nomes próprios das crianças são as mais interessantes fontes para isso. Não é necessário inventar nada e nem mesmo recorrer à cartilha, manual ou livro didático.
Eu sugiro que você comece assim:

Primeiro Passo: questionar
Pergunte às crianças quem já sabe escrever o seu nome e peça que elas, em ordem (que pode ser a da chamada), o escrevam no quadro da sala de aula. Depois de cada escrita, leia em voz alta e peça que todos o observem e leiam também. Quando todos estiveram escritos, observe se alguém não sabe escrever o seu e se ofereça para escrever o que está faltando. Repita o procedimento com estes que ainda não sabem (escrever, ler em voz alta, solicitar que observem e repitam a leitura);

Segundo passo: Os crachás
Logo depois de cada um dos nomes escritos pelas crianças e lidos por todos, aproveite para fazer o primeiro crachá para cada um. É simples e há vários modelos. O importante é que fique legível a uma distância de três a quatro metros e que a primeira letra seja ressaltada em outra cor. Entregue a elas e peça que os mantenham sempre (no peito, na classe...);

Terceiro passo: Apresentando os Nomes
Chame, em ordem alfabética, cada um até sua classe. Escreva com letras maiúsculas e em uma folha de papel em branco o nome chamado, lembrando de ressaltar a primeira letra (em outra cor), assim: CRISTINA. Logo depois, peça para a criança ler e confirmar o seu nome. Depois, solicite que mostre aos colegas. Indique que ela cole o pequeno cartaz em sua mesa ou cadeira. Faça isso com todos.

Quarto passo: O Abecedário e o valor posicional das letras
Monte um Abecedário (pode ser no quadro, em alguns metros de papel ou mesmo leve pronto um abecedário de pano com bolsos). Convide as crianças a localizarem nele a letra igual à primeira de seu nome e peça a elas que colem seu nome abaixo dela, como no exemplo abaixo:

       A              B                    C                   D                   E
    ANA      BRUNA     CATARINA      DIEGO         ESTER

Faça isso com calma, envolvendo todas as crianças, explorando o movimento de reler o nome todo, encontrar seu lugar no Abecedário, comparar a letra inicial do nome com a letra do Alfabeto ali impressa.
Aproveite a presença de mais de um nome em cada letra para comparar, questionar e afirmar a sua localização. As crianças vão aprender o valor posicional das letras, o uso de mesma letra para a escrita de vários nomes (quantidade finita de caracteres e infinita de possibilidades de grafia) e as diferenças necessárias para diferenciar um nome de outro. Às vezes, os nomes são iguais. Nesse caso, solicite um segundo nome e se a igualdade permanecer, o sobrenome. Assim, na letra A, por exemplo, pode ter Ana Júlia e Ana Paula e/ou Ana Júlia Pedroso e Ana Júlia Torres.

Quinto passo: A ordem alfabética
Apresente o Alfabeto e sua ordem. A ordem é uma convenção, não se pode mudar. Não há valor nessa ordem  (o A não vale mais porque vem primeiro). Assim, crie jogos para as chamadas que tenham ordem mas não valor (exemplo: chame de trás para frente, do meio para o início, do fim para o meio, indicando a ordem escolhida.

Organize os nomes nessa ordem.
Como?
Imite o Abecedário com o posicionamento de todos em sala de aula.
Chame-os em ordem, peça que fiquem um atrás do outro (primeiro as crianças com os nomes que inciam com o grafema A, depois B e assim por diante).
Peça que se localizem sozinhos, sempre em ordem alfabética, comparando as letras com o Abecedário localizado na sala. Faça isso sempre, mais de uma vez por dia. Invente jogos de chamadas (todos ao mesmo tempo, só a letra P, de trás para frente, do maior para o menor, mas exija sempre o posicionamento em ordem alfabética). Em breve, elas vão memorizar esses jogos e também a ordem que, convencionada, precisa ser memorizada.

Sexto passo: Comparar
Realize comparações entre os nomes, as letras, a quantidade de letras. Use para isso os crachás feitos para cada um e os nomes inseridos no Abecedário da turma. As perguntas são:
Meu nome é Cristina. Quantas letras há em meu nome? Com que letra inicia a escrita de meu nome? Qual a última letra? Há outros nomes dentro do meu nome? Quais? Comparando meu nome com Carina, quem tem mais letras? Como iniciam? Como terminam? Quais eu tenho a mais? Quais as iguais? Quais as diferentes?

Sétimo Passo: Saber
Faça ditados dos nomes em duplas, para que eles se ajudem. Os ditados podem ser dos nomes inteiros e também letra a letra. Faça brincadeiras de formação de duplas, de feituras dos crachás, insista na comparação entre eles. Nos ditados, deixe que consultem o Abecedário, os crachás, os colegas. O intuito é que brinquem enquanto aprendem. Depois de várias tentativas, faça ditados a sério, individuais, e veja o resultado. Se ainda houver crianças que não sabem, convide-as para observarem o que não sabem e escreverem os nomes que ainda não conseguem. A referência sempre é o colega que se chama por aquele nome, uma referência importante para a criança.

Oitavo passo: comemorar
Quando todos se conhecem e sabem escrever o nome uns dos outros, a ordem alfabética, a quantidade de letras de cada nome, alguns dos princípios básicos para que aprendam a ler já estão inseridos.
Dialogue sobre os nomes e suas preferências (se gostariam de ter outro nome, qual seu apelido, seu nome completo, os nomes de seus familiares e animais de estimação. É um bom link para informar que tudo, no mundo, tem nome). Ao conhecer quase todas as letras do alfabeto, a partir dos nomes de coleguinhas da turma, eles aprendem com significado, ou seja, as letas passam a ser sinais que utilizamos para dar nome ao mundo e aí, é só comemorar esse novo saber e partir para os próximos!

Dúvidas?
Escreva para: cris@ufpel.tche.br

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Alfabeteando...

Olá, bem vindo!

Um "Alfabeto à parte" foi criado em setembro de 2008 e tem como objetivo discutir a leitura e a literatura na escola. Nele disponibilizo o que penso, estudos sobre documentos raros e meus contos, além de uma lista do que gosto de ler.

Em 2013 concluí pesquisa sobre o Abecedário Ilustrado Meu ABC, de Erico Verissimo, publicado pelas Oficinas Gráficas da Livraria do Globo em 1936. O lançamento do livro e sua repercussão estão no Blog. Alguns artigos sobre a pesquisa também. Leia e dê sua opinião.

A novidade, em 2015, foi a inauguração da Sala de Leitura Erico Verissimo, um sonho antigo que agora se realiza. Em 2016, o processo de restauro da Biblioteca na Escola Fernando Treptow, inaugurada em 25 de novembro.

Em 2017 estou produzindo a Biografia de João Bez Batti. Através de relatos pessoais nos quais a criançaque João foi é a personagem principal, recosntruo, com narrativas litetárias, seu descobrimento como escultor. Bilíngue (português e italiano) o livro tem data para ser lançado: 11/11/2017.

Abraço

Cristina