segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Descritores: um modo de pesquisar...

 


Descritores: uma aula na pós-graduação em Educação

Cristina Maria Rosa

 


Foi hoje, dia 17 de outubro que Ieda Kurtz e eu nos reunimos para consolidar o tema, problema e metodologia de seu trabalho a ser desenvolvido como pesquisa e artigo final na Pós-Graduação em Educação que ela está desenvolvendo desde agosto de 2022.

Inicialmente interessada na gestão escolar, Ieda tem observado como o tema se apresenta e desenvolve na escola em que trabalha como Pedagoga desde 2020. Ao mesmo tempo, tem tido a oportunidade de exercer a docência no Ensino Fundamental, onde se revela uma excelente formadora de leitores.

Ao se relacionar com todas as demais instâncias da escola, Ieda percebeu que a Gestão – integrada por ações de coordenação e direção, entre outras – tem impacto constante na sala de aula e nos demais espaços da instituição e, assim, deve ser compreendida por todos que ali se encontram para aprender e ensinar. Todos, não apenas quem está em cargos e tem responsabilidades mais ampliadas que os professores com suas turmas de alunos.

Descritores

Interessadas em averiguar o que já foi produzido sobe o tema “gestão na escola pública”, elegemos o Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES como referência. Este é um dos mais importantes passos, talvez o primeiro, quando se busca produzir conhecimento. No caso da Ieda, pesquisar e escrever um artigo final sobre o tema considerando sua escola será o objetivo.

Ao acessar o catálogo que está disponível de modo on-line em https://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses/, imediatamente lembrei de um tempo em que eu, estudante, fazia isso manualmente. Como? Indo às bibliotecas e lendo, um por um, os trabalhos nela contidos. Após reconhecermos a “facilidade” com que contam hoje os estudantes por terem acesso ilimitado a bancos de informações, decidimos focar.

Listamos aleatoriamente alguns descritores – palavras ou expressões chave para uma busca de trabalhos que identifiquem temas ou mesmo abordagens a serem conhecidas, consideradas, incluídas.

No campo da busca, colocamos a expressão gestão da escola. A nossa frente, todos os trabalhos que estão no Catálogo foram apresentados, com várias possibilidades para nova seleção: dissertações ou teses, ano de publicação, autor, universidade, orientador...

Ler as vinte primeiras sugestões nos levou a aprimorar a busca e novos descritores foram sendo inseridos no campo da busca. Entre eles, gestão da escola pública, gestão da escola básica, conceito de gestão da escola, conceito de gestão da escola básica e conceito de gestão da escola pública.

A escolha

Diante da quantidade de trabalhos que o portal CAPES oferece acesso, como descobrir o que nos interessa, o que nos aportará saberes novos e ao mesmo tempo referencial?

Tivemos sorte, eu diria.

Mais interessante que os demais, um título imediatamente capturou nossa atenção: Gestão democrática da educação na rede pública municipal de Pelotas: experiências de democracia participativa. 

Resultante de um Mestrado em Educação realizado pela Nailê Iunes, refere-se ao trabalho da autora no processo que encaminhou e orientou as escolas públicas pelotenses na construção dos Projetos Político-Pedagógicos e Regimentos Escolares no início do século XXI.

Uma curiosidade que nos levou a escolher este, entre os demais trabalhos ali listados, foi a declaração da autora de que havia, nos documentos escolares a que teve acesso, a “democracia como ideal comum”. Na Dissertação, Nailê afirma que essa evidência pôde ser observada na leitura de documentos, mais especificamente, textos que tratam da intencionalidade da escola. Neles, a democracia seria uma utopia “cujo exercício sugere-se que se dê por meio da participação de todos/as que compõem a comunidade escolar, assim como, pela conquista da autonomia pedagógica e financeira das escolas com relação à entidade mantenedora”.

Experiente, a autora – professora da Rede Pública Municipal de Ensino de Pelotas – teve “a oportunidade de vivenciar diferentes experiências no campo da gestão escolar”. Nestas experiências, completa, “como parte de um coletivo”, sempre fundamentou seu trabalho na “perspectiva da gestão democrática”.

Próximos passos

Uma aula na Pós-Graduação é sempre uma rica oportunidade de rever princípios, escolher caminhos metodológicos, definir traços do saber que vamos dar continuidade. Ou divergir e reinventar.

Nas mãos (na mente, nos projetos, nos desejos) da Ieda Kurtz, agora, a orientação para ler esta dissertação e, com ela, aprender, capturar sentidos e relacionar. O texto de Nailê receberá, por parte de nós duas, orientadora e especializanda, um olhar atento e aprofundado. Pretendemos, após a leitura e fichamento,  relacionar conceitos ali inseridos com as atitudes que na escola, atualmente, representam a “gestão”.

Estudar e produzir: estes os próximos passos!

Para saber mais...

Para conhecer o texto que Ieda vai estudar, clique em:

http://guaiaca.ufpel.edu.br:8080/bitstream/123456789/1730/1/Naile_Pinto_Nunes_Dissertacao.pdf



quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Le storie di Lupo

 


Le storie di Lupo

Cristina Maria Rosa

Escrito por Philippe Jalbert e traduzido para o italiano por Giulia Calandra Buonaura, Le storie di Lupo (2022), é uma storie divertente, ou seja, uma paródia. Não de uma história, mas, sim, de um grupo de referências que temos sobre o personagem lobo e suas aventuras na floresta.

A paródia tem como intuito criticar e/ou ridicularizar algo ou alguém e, assim, apresenta-se como uma forma de arte literária. O maior ganho no uso desta forma de escrita é a presença e o aprimoramento do senso crítico do leitor em relação a temas polêmicos.

Prometendo ao leitor acesso a uma “Storie divertente com del vero lupo dentro”, o livro oferece, na primeira e também na última capa, informações suficientes para ser lido, apreciado, adquirido. Como exemplo, em um dos paratextos impresso na última capa esta escito: “Il lupo è arcistufo dei soliti conigli selvatici. Qui ci vuole qualcosa di nuovo de mettere sul menù… Che por trovarlo debba avventurarsi fuori dal bosco?” Em uma tradução livre seria: O lobo está enjoado de só comer coelhos selvagens. Quer inserir algo novo em seu cardápio. Por que, para encontrar, deve aventurar-se fora do bosque? É um convite ao leitor para descobrir a trama. Mesmo assim, leia antes de comprar.

Formato

Nem grande, nem longa, a edição que avaliei foi impressa em junho de 2022 na França e Editada pela Franco Cosimo Panini Editore S.p.A em Modena, Italia, neste mesmo ano. Possui capa acartonada (24 cm de altura, 20,5 cm de largura e lombada de um centímetro), guarda ilustrada e vinte e cinco páginas de miolo em papel sulfite. Ilustrado em cores com destaque para o vemelho e o preto, seu grande “jogo” é a cara de nojo do lobo diante de suas “velhas” possibilidades alimentares: galinhas, carneirinhos, porquinhos e – não podia faltar – a Chapeuzinho Vermelho.

A maior parte das cenas contidas no livro estão alocadas em duas páginas e, nelas, o lobo sempre aparece forte, grande, assutador e com uma bocca più larga (muito grande). Ilustrada, a guarda – folhas que une a capa ao miolo – dá ênfase aos personagens em difentes momentos do livro, reproduzindo-os em um quadriculado que mais parece uma HQ.

Por que ler Le storie di Lupo…

Entre as boas razões para indicar a leitura, compreensão e posse do livro de Philippe Jalbert (2020) estão:

1. Conhecer o que é e como se faz uma excelente paródia. Neste caso, qualificada por se referir a vários momentos da vida do personagem que foi vencido, em diferentes a anteriores embates com outros personagens. O autor conta com esse saber do leitor, aciona seu repertório. Na verdade, precisa dele para brincar. Conhecer e se deliciar com o humor de Jalbert (2020) em Le storie di Lupo é usufruir do ridículo, do pedantismo e, por fim, do medo da personagem central da narrativa.

2. O segundo motivo é o investimento em uma atividade intelectual bastante intensa: compreender a obra. Único para cada leitor, o exercício de decodificar, pensar sobre, imaginar, inferir, depreender, conjecturar e comparar são atributos da leitura que instigam a inteligência humana e, desse modo, produzem sapiência, vínculo e gosto pela leitura.

No caso de Le storie di Lupo, de Jalbert (2020), a coerência advém da dieta real do personagem, ou seja, lobos comem coelhos, galinhas, porcos, carneiros. Essa “coerência” leva à aceitabilidade da paródia, um tipo de intertextualidade. São elementos que permitem e oportunizam a compreesão e até incentivam uma análise crítica. A pergunta imediata que surge é: Lobos enjoam de comer sempre a mesma coisa?

Por fim, defendo a aquisição da obra. Fenômeno vivido por mim – o riso – só pode ocorrer se tivermos Le storie di Lupo, de Philippe Jalbert (2020), em nossas bibliotecas, para ler e reler tantas vezes quantas desejarmos.

Alfabeteando...

Um "Alfabeto à parte" foi criado em setembro de 2008 e tem como objetivo discutir a leitura e a literatura na escola. Nele disponibilizo o que penso, estudos sobre documentos raros e meus contos, além de uma lista do que gosto de ler. Alguns momentos importantes estão aqui. 2013 – Publicação dos estudos sobre o Abecedário Ilustrado Meu ABC, de Erico Verissimo, publicado pelas Oficinas Gráficas da Livraria do Globo em 1936; 2015 – Inauguração da Sala de Leitura Erico Verissimo, na FaE/UFPel; 2016 – Restauro e ambientação da Biblioteca na Escola Fernando Treptow, inaugurada em 25 de novembro; 2017 – Escrita da Biografia literária de João Bez Batti, a partir de relatos pessoais. Bilíngue – português e italiano – tornou-se um E-Book; 2018 – Feira do Livro com Anna Claudia Ramos (http://annaclaudiaramos.com.br/). 2019 – Produção de Íris e a Beterraba, um livro digital ilustrado por crianças; 2020 – Produção de Uma quarentena de Receitas, um livro criado para comemorar a vida; 2021 – Ruas Rosas e Um abraço e um chá, duas produções com a UNAPI; 2022 – Inicio de Pesquisa de Pós-Doutorado em acervos universitários. Foco: Há livros literários para crianças que abordem o ECA? 2023 – Tragicamente obsoletos: Publicação de um catálogo com livros para a infância.

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