sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Graça não veio ao mundo a passeio...

 

Graça: uma pessoa da ação e da imaginação literária

Cristina Maria Rosa

 

Na manhã de 06 de novembro, nos reunimos para conhecer Graça mais profundamente.

Foi o primeiro de um ciclo de encontros que pretende afirmar e evidenciar a presença de Graça Paulino na pesquisa, no ensino e na extensão, evento criado para conhecer, aprofundar e comemorar a presença de Graça entre nós, que a amamos.

Telma Borges, logo no início, nos dirigiu emocionantes palavras lembrando de Graça e de quem a encontrou na vida...

Nós...

Cada um de nós que teve a oportunidade de ler, ser aluno, orientando, amigo e até parceiro de produções científicas.

O evento...

Presentes, em torno de 70 pessoas dos grupos GPELL (FaE/UFMG), GELL (FaE/UFPel), LLEME (CEFET/MG), além de convidados (orientandos e admiradores da obra de Graça).

Em seu discurso de abertura, Zélia Versiani, emocionada, agradeceu a parceria e nos brindou com sua memória de episódios vividos com Graça:


A Graça é uma pessoa que não veio ao mundo a passeio, embora gostasse muito de viajar. Em Lisboa, em um congresso, convidou-me a comer ‘sardinha com batata ao muque’ em uma cantina que conhecia. Inúmeras voltas em círculos, naquelas ruazinhas, mortas de fome e cansaço, por fim encontramos a cantina. Graça era assim... Não desistia facilmente de seus projetos. A longevidade do GPELL deve-se a sua perseverança. Deixou-nos de herança o GPELL! Graça e o GPELL estão entrelaçados de tal modo!

 

Por fim, Zélia mencionou a preparação a uma viagem que não houve: à Havana, junto com Aracy. E, em frase emblemática, que todos entendemos, criou uma imagem de Graça que também perdura em mim: “Graça, nas suas andanças, se transformava em personagem...”.

Rildo recebe a palavra...


“Essa, para mim, será uma fala muito emotiva, que vai envolver muitas emoções...”

 Ao rever muitos e-mails trocados com Graça, Rildo notou que, ao fim deles, Graça escrevia: “Abracin”. Mineiramente, acarinhava Rildo e o convidava a voltar ao diálogo.

Anunciando-se privilegiado por integrar o GPELL e o CEALE, Rildo nos convidou a conversar, uma vez que estávamos entre pares e amigos. Disse: “Não é fácil falar de amigos entre amigos”.

E revelou...

 

Graça e eu fomos amigos. Fomos amigos sinceros. Amizade intensa, de cunho pessoal, de trocas, de confidências, de vida... Graça me recebeu na UFMG. Graça, Aracy e Marildes foram os pilares que me incluíram no GPELL e CEALE. Graça me apadrinhou na Pós-Graduação. Criou uma disciplina para eu dar com ela na Pós-graduação. Escrevemos livros juntos a partir de seminários na ABRALIC, em 2000 ou 2001, seminários sobre ensino de literatura...

 

Rildo e as discussões acaloradas

Todos que conhecem Graça sabem que ela adorava uma discussão acalorada, embora, às vezes, um simples balançar de cabeças indicava sua posição.

Com “apreço grande pelas ideias de Graça e seu pensamento”, Rildo revelou que “concordávamos e discordávamos de muitas coisas...”. E indicou como selecionou o que se tornou o foco de sua fala no evento: “Eu poderia falar de muitas coisas: leitura de filmes, textos, livros, projetos que não concretizamos, mas, vou me deter em um texto que escrevemos juntos e que foi publicano no livro de Regina Zilberman”. Nele, pela primeira vez, o conceito de letramento literário.

Um “fato anterior”...

Ocorrido antes desse momento de escrita e publicação, Rildo narrou o processo de decisão do título de seu livro – Letramento literário: teoria e prática, cujo título inicial era “Construindo uma comunidade de leitores...”.

Como a Editora que o publicou sugeriu a troca de título, Rildo consultou Graça, que cunhou o “verbete”. E lembrou que, ele e Graça, discordavam do termo letramento literário e dos sentidos do termo. Indicou, como hipótese para essas discordâncias, suas formações acadêmicas e a diferença geracional: Graça advinha da Teoria da Literatura, da Sociologia da Literatura e suas referências eram em Francês; Rildo, da Literatura Comparada e da escola inglesa. Atribuiu a essas influências o uso diversificado do termo, mesmo no GPELL.

Juntos, Graça e Rildo decidem que chegar a um acordo que definisse ou servisse de base “às meninas do GPELL”, nas palavras de Graça, segundo Rildo. A motivação que deu origem ao “acordo” foi a necessidade que Rildo teve de reconfigurar o título de seu livro. Foi, “a partir daí”, de acordo com Rildo, que Graça e ele começaram a discutir “oficialmente” sobre o termo.

Um convite para Graça

Rildo, em sua fala, lembrou a todos que Graça havia recebido um convite para publicar algo com Zilberman (UFRGS) e Rösing (UPF). O foco era escrever sobre o Letramento Literário[1]. Generosamente, Graça estendeu o convite a Rildo. Ele ressaltou: “Como Graça havia cunhado o termo, cabia a ela, escrever. Generosa, me convidou. Fizemos um rascunho. E... Começamos a escrever. A definição, o termo, o conceito e outra parte, o letramento literário na escola”.

Rildo ressaltou que Graça argumentava acerca da questão/situação da escola, do letramento na escola, e que essa era a questão mais importante. Em suas palavras: “A grande preocupação era a escola, ela era mais educadora do que eu”.



[1] PAULINO, G. Cosson, R. Letramento Literário: para viver a literatura dentro e fora da escola. ZILBERMAN, R.; RÖSING, T. Escola e Leitura: velha crise, novas alternativas. São Paulo: Global, 2009.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Um dia para a língua portuguesa...

 


Dia Nacional da Língua Portuguesa

Paloma Wiegand

 

O dia de hoje, 05 de novembro, é dedicado à comemoração do idioma falado, escrito, lido e entendido no Brasil: a língua portuguesa. Praticado em muitos países e em três continentes, o Português tem, desde 2006, no Brasil, um Decreto (lei nº 11.310) que o valoriza.

Língua, linguajar, fala, expressão, dialeto, idioma, linguagem: todos esses termos se referem a parte da cultura de um povo. A língua – de acordo com Marcos Bagno, 2014 – pode ter definição “vaga e imprecisa, impregnada de mitos culturais e preconceitos sociais, decorrentes de longos processos históricos, específicos a determinado povo, nação ou grupo social”. Mas também, em uma “perspectiva mais recente”, a língua é considerada em “seus aspectos semânticos, pragmáticos e discursivos”. Leia o que Bagno (2014) escreveu no Glossário CEALE sobre o ponto de vista semântico:

 

Segundo essa abordagem, só existe língua em interação social, de modo que é preciso examinar e compreender os processos envolvidos na produção de sentido que se dá toda vez que falamos e/ou escrevemos. Aqui a língua não é uma entidade abstrata: ao contrário, ela é vista como uso concreto, uso que se faz sempre e inevitavelmente na forma de um discurso que se molda segundo as convenções dos múltiplos gêneros que circulam numa sociedade-cultura.

 

E os textos – falados e escritos –, o que seriam nessa concepção? Para Bagno (2014), “são molduras linguísticas em que os enunciados se interconectam (por meio de fatores como coesão e coerência, entre outros) para conferir sentido ao discurso expresso como gênero textual”.  E, por isso, é uma abordagem que agrega três aspectos:

ü  Semântica, que analisa o sentido (e não o significado abstrato) que os enunciados adquirem nos discursos particulares;

ü  Pragmática, que investiga as intenções subjacentes à situação daquele uso específico das palavras, das construções sintáticas e das propriedades textuais;

ü  Discursiva, porque tenta depreender as crenças sociais, os valores culturais e as ideologias que subjazem aos enunciados concretos.

 

Situando

A escolha da data – 05 de novembro – é também uma homenagem ao escritor e político brasileiro Ruy Barbosa, que nasceu em 5 de novembro de 1849, e é considerado um grande estudioso da língua portuguesa.

A celebração da Língua Portuguesa – quinta mais falada no mundo, terceira no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul – também ocorre em 5 de maio e em 10 de junho, evidenciando seu valor .

Países

Nove são os países que adotam o português como idioma oficial: Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Guiné Equatorial, e Guiné-Bissau. Por falar nisso, tu sabias que São Paulo, a capital do Estado de São Paulo é considerada a cidade com maior concentração de falantes de português no mundo inteiro? É lá, inclusive, na capital paulista, que se localiza o Museu da Língua Portuguesa. Se quiser conhecer, clique aqui: https://www.museudalinguaportuguesa.org.br/?gclid=EAIaIQobChMIppmE8-3r7AIViguRCh11cQUfEAAYASAAEgLYm_D_BwE

 

Expressões...

Dentre as muitas possibilidades para homenagear uma língua, um idioma, lembre das canções, hinos, poemas...

E as peças teatrais, os vídeos, os filmes.

Na verdade, são incontáveis as opções disponíveis para explorar os diversos modos de falar a de escrever uma língua.

Na escrita, um dos modos de torná-la mais permanente, há diversos gêneros que a representam: narrativas, novelas, contos – se for escrita literária – e cartas, jornais, livros didáticos, contratos, bulas, receitas e manuais, se for escrita coloquial e informativa.

Mas, se o teu objetivo é realmente conhecer, explorar, ou aprender melhor o idioma, é recomendável consultar...

Dicionários!

São livros que agregam sabor e saber ao conhecimento que já temos.

E o expandem!

Português: o que é isso?

Estudar a língua não é "chato", como costumam falar por aí...

Vou te dar um exemplo.

Quando eu era pequena, uma de minhas professoras me contou uma história.

Sobre dicionários...

A figura central da his´toria – a personagem principal – mera o pai. Da professora. Ela, a professora – a narradora – disse que ele, o pai, "todos os dias, pensando em conhecer uma palavra nova, abria o dicionário aleatoriamente e, de olhos fechados, ali pousava o dedo. Ao abrir os olhos, lia a palavra encontrada. Em voz alta!”.

Mas há outros meios de estudar nossa língua.

Quem estuda para ser professor, quem está matriculado em uma Licenciatura, pode recorrer a dicionários temáticos. Um que conheço é o Glossário CEALE. Se ainda não conheces, clique aqui:

http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/


Origem

A língua portuguesa resulta de uma transformação do latim vulgar (uma das variantes da língua romana) e do galego (falado na província da Galícia – situado atualmente em território espanhol). O idioma falado no Brasil atualmente, desde que aqui chegaram os portugueses, ganhou sons, vocábulos e significados com as demais línguas praticadas nesses 520 anos de história.

Quais línguas? As dos povos originários – os indígenas que aqui viviam e os africanos que para cá foram traficados.

Depois de tanto tempo e apesar de ainda sermos um país de muitas línguas – há línguas dos povos originários que sequer conhecemos e a LIBRAS – temos como oficial, o idioma português.

E é em português que escreveram poetas, romancistas, historiadores. Antropólogos, jornalistas e professores.

Alguns se tornaram clássicos...

Queres conhece-los?

É só clicar aqui: https://www.revistabula.com/647-100-livros-classicos-para-download/

A língua portuguesa é de todos, para todos.

Feliz dia Nacional da Língua Portuguesa!

Queres dar tua contribuição?

Comenta aqui.

Gratidão!

Alfabeteando...

Um "Alfabeto à parte" foi criado em setembro de 2008 e tem como objetivo discutir a leitura e a literatura na escola. Nele disponibilizo o que penso, estudos sobre documentos raros e meus contos, além de uma lista do que gosto de ler. Alguns momentos importantes estão aqui. 2013 – Publicação dos estudos sobre o Abecedário Ilustrado Meu ABC, de Erico Verissimo, publicado pelas Oficinas Gráficas da Livraria do Globo em 1936; 2015 – Inauguração da Sala de Leitura Erico Verissimo, na FaE/UFPel; 2016 – Restauro e ambientação da Biblioteca na Escola Fernando Treptow, inaugurada em 25 de novembro; 2017 – Escrita da Biografia literária de João Bez Batti, a partir de relatos pessoais. Bilíngue – português e italiano – tornou-se um E-Book; 2018 – Feira do Livro com Anna Claudia Ramos (http://annaclaudiaramos.com.br/). 2019 – Produção de Íris e a Beterraba, um livro digital ilustrado por crianças; 2020 – Produção de Uma quarentena de Receitas, um livro criado para comemorar a vida; 2021 – Ruas Rosas e Um abraço e um chá, duas produções com a UNAPI; 2022 – Inicio de Pesquisa de Pós-Doutorado em acervos universitários. Foco: Há livros literários para crianças que abordem o ECA? 2023 – Tragicamente obsoletos: Publicação de um catálogo com livros para a infância.

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