quarta-feira, 5 de abril de 2023

Direitos das crianças em obras literárias: Um estudo nos acervos da UFRGS e UFSC.


O PROJETO QUE RESULTOU EM UM ESTUDO NOS ACERVOS DA UFRGS E UFSC.

Cristina Maria Rosa

 No estudo proponho conhecer, descrever e analisar o grupo de obras literárias para a infância existente em duas Faculdades de Educação, a saber: a Biblioteca do Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina e o acervo do @literalise e Biblioteca da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e acervo do Programa de Extensão Universitária “Quem quer brincar?”. O foco é compor o rol de obras que subsidiam a formação de docentes nestas duas instituições e, de maneira explícita ou implícita, tratem de personagens e/ou enredos vinculados aos direitos das crianças pautados no Estatuto da Criança e do Adolescente. A imersão ocorrerá primeiro na Linha de Pesquisa Educação, Sexualidade e Relações de Gênero (FACED/UFRGS), sob a supervisão da Drª. Jane Felipe, pesquisadora no Eixo Temático Infâncias, Gênero e Sexualidade. A segunda investida ocorrerá no grupo de pesquisa Educação e Infância, com foco em Violências, Gênero e Direitos das crianças, com a supervisão da Drª. Patrícia De Moraes Lima (UFSC). Ler todas as obras pertencentes aos acervos, selecionar as mais relevantes no que tange aos temas das linhas de pesquisa e analisá-las criticamente é o caminho metodológico escolhido. A análise documental é preponderante para a configuração de um rol de obras a serem acionadas na formação de professoras e professores, bibliotecárias e bibliotecários e gestoras e gestores escolares.

Palavras-chave: Infâncias; Acervos literários; Formação docente; Direitos das crianças; Gênero.

Introdução

O processo de produção de conhecimento sobre a educação das infâncias, suas especificidades no campo educacional relacionadas às práticas pedagógicas, à formação docente e às políticas educacionais integram os currículos das Licenciaturas em Pedagogia nas Universidades brasileiras. Assim, é preponderante, na composição dos currículos da Pedagogia e profissões afins, que saberes inseridos em artefatos culturais tombados em bibliotecas ou grupos de estudo – livros literários direcionados à infância –sejam conhecidos e analisados criticamente. Acionados ou não por professora e professores, bibliotecárias e bibliotecários e gestoras e gestores, constituem um excelente banco de textos para um estudo documental.

No estudo proponho conhecer, descrever e analisar o grupo de obras literárias para a infância existente em acervos que, de modo direto ou indireto vêm se incorporando na formação de professores, bibliotecários e gestores escolares. O foco é conhecer a quantidade e qualidade dos títulos que, de maneira explícita ou implícita, apresentem personagens e/ou enredos vinculados aos direitos das crianças – à vida e à saúde; à liberdade, ao respeito e à dignidade; à convivência familiar e comunitária; à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer; à profissionalização e à proteção no trabalho – pautados no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Estudos sobre Infâncias, desde um bom tempo, incluem conhecer e dar a conhecer questões de gênero, sexualidade e violências, uma vez que incidem diretamente no tema dos direitos das crianças pautados no ECA. Por isso, escolhi pesquisar sob a supervisão da Drª. Jane Felipe, do GEERGE[1] e da Drª. Patrícia Lima, do Grupo de Pesquisa Educação e Infância[2]. Acredito que ambas as linhas de pesquisa – Educação, Sexualidade e Relações de Gênero (UFRGS) e Educação e Infância (UFSC) – apresentam amplas possibilidades de supervisionar originais pesquisas em que os temas gênero, sexualidade, raça/cor, etnia, classe, religião, nacionalidade, geração e direitos das crianças podem ser postos em articulação com a Educação.


Proponho-me, em imersão nas Bibliotecas das Faculdades de Educação de ambas as Universidades e em acervos de dois grupos indicados pelas supervisoras – o Programa de Extensão Universitária Quem quer brincar? e @literalise – a ler todos os títulos, selecionar as mais relevantes no que tange aos temas das linhas de pesquisa escolhidas para abrigar este Estágio Pós-Doutoral e analisá-los criticamente como caminho metodológico para a composição de um rol de obras que possam ser acionadas na formação de profissionais que atuam na escola.

Questões como “Quais os títulos que integram essas coleções? Eles podem ser acionados quando da formação de professoras e professores no que tange aos estudos dos direitos das crianças? Eles podem ser considerados artefatos que dão suporte à abordagem de temas como gênero, sexualidade e etnia em suas múltiplas e complexas articulações com a educação na escola? Quem os escreveu e ilustrou? A que gênero pertencem estas obras? Quais as políticas de aquisição e manutenção destes acervos?”, orientarão meu estudo. A análise destes artefatos culturais datados e públicos, aos quais dedicarei um olhar crítico – que inclui critérios como literalidade, longevidade e atualidade – resultará em um documento que pode vir a orientar não apenas a formação docente nas licenciaturas, mas, também, políticas de aquisição, manutenção e atualização de acervos.



[1] Grupo de estudo existente no PPGEDU/FACED/UFRGS e reconhecido pelo CNPq como uma instância acadêmica formadora de pesquisadores/as, reunindo estudantes e docentes interessados em investigar e discutir questões relacionadas a gênero, sexualidade, etnia, educação, em suas múltiplas e complexas articulações.

[2] Grupo integrante do PPGE/FaE/UFSC, tem entre seus objetivos, estudos sobre Violências, Gênero e Direitos das crianças.Saber mais...

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Cultura escrita: o que é isso?

 

Cultura escrita: o que é isso? Um pouco de saber, sabor e palavras

Cristina Maria Rosa - Universidade Federal de Pelotas


Tu sabes o que é Cultura Escrita?

Eu me aventurei a escrever o que penso, a partir de uma pergunta que recebi recentemente de um amigo Pedagogo.

No entanto, na imagem acima tu já podes imaginar o que significa para mim esta tão interessante palavra: escrita. E pode observar que estou em um local e momento em que vários aspectos dessa palavra/termo/categoria se encontram: livros, música, tempo, escolha, lazer. 

Verdade.

Foi um momento especial. Mas, também, um momento que já vivi e vivo constantemente. 

Onde estou? No escritório de meu filho, usufruindo de parte de seus livros. Mas, isso não é tudo...

Estava em férias e podia estar sem calçados, com os pés sobre um suporte, quase deitada. Um bom lugar para ler um livro...

Cultura escrita

Para compreender o que é cultura escrita é necessário considerar que nós, humanos, nos relacionamos com a natureza, pois somos uma das espécies do planeta. Nesta relação, produzimos cultura, ou seja, intervimos e transformamos, generalizamos e descartamos, valorizamos e usufruímos de vários artefatos. Um deles, determinante, foi a cultura do fogo. Outro? A língua escrita.

Nós, humanos, nos relacionamos também com nossos iguais, os outros seres humanos. Inventamos a maternidade, o cinema, a internet. Inventamos artefatos impressos de todos os tipos nestas e a partir destas interações. Inventamos até "direitos humanos", uma ideia sobre nós mesmos que transformamos em lei. 

Ana Maria de Oliveira Galvão (2014), uma professora mineira respeitada, conceitua “cultura escrita” como “o lugar simbólico e material que o escrito ocupa em/para determinado grupo social, comunidade ou sociedade” e acrescenta que a definição “baseia-se na acepção antropológica de cultura”. Então, cultura escrita é mais que apenas uma, pois é múltipla, já que vivemos em sociedades complexas, nas quais o acesso e o uso de escritos não pode ser descrito com simplicidade.

Eu penso que...

Cultura escrita é tudo o que produzimos de modo a perpetuar nossa estada na vida – a própria e a da espécie. Com palavras. Mas, eventualmente também, com desenhos, cores, imagens. E também os modos como acionamos e usamos esses registros. E como os guardamos e os revemos.

Isso nos leva a imaginar que não há apenas uma cultura e, sim, “culturas do escrito” ou “culturas escritas”, pois “não existe um único lugar para o escrito em uma determinada sociedade ou em/para um determinado grupo social” (Galvão, 2014). E nem mesmo um único lugar a ser ocupado por pessoas que a produzem, uma vez que todos nós, cotidianamente, somos capazes de intervir na feitura de “bens materiais e simbólicos”.

Um bom exemplo é a Literatura..

Uma arte a ser fruída, ela não significa o mesmo para quem escreve, edita, lê, relê, nunca lê.

Nesta arte, prazer e pensamento, ludicidade e reflexão, o doce e útil vínculo que há nos melhores textos nem sempre tem o mesmo valor. Para que tal ocorresse, seria necessário um “letramento literário”, ou seja, um “processo ativo de apropriação da literatura enquanto construção literária de sentidos”, de acordo com Graça Paulino (2014), pois este “configura a existência de um repertório textual, a posse de habilidades de trabalho linguístico-formal, o conhecimento de estratégias de construção de texto e de mundo que permitem a emersão do imaginário no campo simbólico”.

Na história da cultura escrita, manuscritos, impressos, ritos e gostos interferem e dependem de quem os lê.

Eu amo ler, então, fica parecendo bem fácil ensinar a amar a ler...


 

Alfabeteando...

Um "Alfabeto à parte" foi criado em setembro de 2008 e tem como objetivo discutir a leitura e a literatura na escola. Nele disponibilizo o que penso, estudos sobre documentos raros e meus contos, além de uma lista do que gosto de ler. Alguns momentos importantes estão aqui. 2013 – Publicação dos estudos sobre o Abecedário Ilustrado Meu ABC, de Erico Verissimo, publicado pelas Oficinas Gráficas da Livraria do Globo em 1936; 2015 – Inauguração da Sala de Leitura Erico Verissimo, na FaE/UFPel; 2016 – Restauro e ambientação da Biblioteca na Escola Fernando Treptow, inaugurada em 25 de novembro; 2017 – Escrita da Biografia literária de João Bez Batti, a partir de relatos pessoais. Bilíngue – português e italiano – tornou-se um E-Book; 2018 – Feira do Livro com Anna Claudia Ramos (http://annaclaudiaramos.com.br/). 2019 – Produção de Íris e a Beterraba, um livro digital ilustrado por crianças; 2020 – Produção de Uma quarentena de Receitas, um livro criado para comemorar a vida; 2021 – Ruas Rosas e Um abraço e um chá, duas produções com a UNAPI; 2022 – Inicio de Pesquisa de Pós-Doutorado em acervos universitários. Foco: Há livros literários para crianças que abordem o ECA? 2023 – Tragicamente obsoletos: Publicação de um catálogo com livros para a infância.

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