sábado, 12 de agosto de 2017

Problemas da fala na criança: uma entrevista...


Lendo uma entrevista intitulada Problemas da fala na criança, realizada pelo mèdico Drauzio Varela com Rejane Rubino, decidi compartilhar.
Rejane é fonoaudióloga e professora no Curso de Fonoaudiologia na PUS/SP. A entrevista foi publicada em 19/03/2012 e está disponível em: http://drauziovarella.com.br/crianca-2/problemas-da-fala-na-crianca/

PROBLEMAS DA FALA NA CRIANÇA
Entrevista com Rejane Rubino.
Por Dráuzio Varela

Os pais olham os filhos sempre com muito orgulho. Na maioria das vezes, acham que eles têm desenvolvimento mais rápido e são mais espertos do que o das outras crianças. Mas, quando o filho apresenta alguma dificuldade para falar ou desenvolve essa habilidade mais lentamente, ficam ansiosos. Se essa ansiedade não é boa para eles, é péssima para a criança que aí, sim, poderá apresentar problemas em relação à fala.
O ser humano demora alguns anos para dominar perfeitamente o mecanismo da fala. Alguns o fazem mais depressa; outros, mais devagar. Não existe data precisa para determinar a normalidade desse processo que envolve uma série de aspectos orgânicos e psíquicos. Qualquer dúvida que surja a respeito do desenvolvimento da fala na criança deve ser esclarecida para evitar o agravamento da situação.

DESENVOLVIMENTO NORMAL DA FALA
1.      Qual é o desenvolvimento normal da fala na criança, das primeiras sílabas até a formação de frases completas?
Em termos de tempo, existe uma variabilidade muito grande. Aquilo que se considera normal não pode ser demarcado por um ponto fixo, mas por algo que comporta variação. Pesquisas mostram, por exemplo, que uma criança de 16 meses pode falar 150 palavras, enquanto outra da mesma idade não fala nenhuma palavra ainda, o que não significa que esta última apresente um problema de linguagem, porque a questão do tempo variável tem peso significativo.
É importante notar que inicialmente a criança produz vocalizações que são tomadas pela mãe e pelo pai como fala, quer dizer, a criança é interpretada como se fosse um falante antes mesmo de começar a falar.
2.      Que tipo de vocalizações são essas?
Essas vocalizações caracterizam-se pela emissão prolongada de uma vogal – aaaaa, por exemplo – ou até mesmo de sons que não serão produzidos mais tarde quando a criança for falante da língua. Depois, isso vai se transformando num balbucio que se caracteriza pela reduplicação de sílabas (babá, mamã), e que se aproxima da estrutura silábica da língua.

3.      Essas reduplicações costumam ocorrer em que faixa etária?
Elas estão presentes após os seis meses de idade. O importante é que o adulto vai tomá-las como palavras. Em geral, quando as mães dizem que o filho começou a falar porque nesse balbucio emitiu um som próximo de “mamã”, por exemplo, na verdade, ele ainda não está falando. No entanto, o fato de o adulto tomar aquilo como fala é fundamental para que ele venha a falar. A criança depende dessa interpretação para tornar-se um falante ativo.

4.      Em que nível está a fala da criança com um ano aproximadamente?
A partir dessa fala interpretativa que pai e mãe fazem, a criança vai tomando alguns fragmentos que irão reaparecer em situações parecidas às que foram faladas pelos pais. Portanto, a primeira fala tem natureza bastante imitativa. A criança repete fragmentos ditos pelo adulto que continua interpretando sua fala. Então, ela fala “nenê” e o adulto completa: “Você viu que nenê bonito?”. Esse movimento de tomar aquele pedacinho de fala e colocá-lo no contexto da língua imprime caráter gramatical à fala da criança. Esse processo de aquisição de uma gramática estruturada leva uns quatro anos, embora varie de uma criança para outra.

INTERFERÊNCIA DA ANSIEDADE PATERNA
1.      Às vezes, os pais ficam aflitos porque a criança de um ano não fala e não sabem que isso pode fazer parte do desenvolvimento normal do filho, não é?
Os pais, às vezes, comparam um filho com o outro e concluem que o mais velho na mesma idade já falava, embora nem sempre entendessem o que dizia, enquanto o menor não fala nada. Costumo dizer, quando isso é motivo de grande preocupação, que eles devem ser orientados, porque essa ansiedade pode dificultar ainda mais o processo da fala infantil, na medida em que passa para a criança a imagem de que deveria estar fazendo alguma coisa que ainda não consegue fazer.
Na clínica, é importante avaliar o modo como os pais falam sobre esse atraso. Às vezes, eles estabelecem relações entre essa demora para falar (que pode nem ser uma demora de fato) com outras histórias da vida da criança e da história deles mesmos. É importante trabalhar para que a ansiedade da família se dissipe e, se realmente houver um problema, começar o tratamento precocemente.

ORIENTAÇÃO AOS PAIS E CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO
1.      Que tipo de conselhos você dá aos pais ansiosos e que critérios estabelece para diagnosticar um real problema de linguagem?
Existem alguns fatores que precisam ser examinados. Muitas vezes a criança ainda não fala, mas mostra sinais de que a linguagem está se organizando dentro dela. Um exemplo é a maneira como ela brinca. Se não fala, mas pega uma boneca, coloca-a para dormir, tira-a da cama, finge que a alimenta e lhe dá banho, apesar do silêncio, a linguagem está presente. É como se houvesse uma espécie de narrativa, evidenciada por eventos encadeados. No entanto, se a criança não consegue estruturar uma brincadeira, pega um brinquedo e larga para pegar outro que também deixa de lado, os pais precisam ficar atentos a esse modo de reagir.
Outro fator a considerar é o efeito da fala do outro na criança. Se ela atende a fala de terceiros, não há motivo para maiores preocupações, o que não acontece quando reage como se nada do que ouvisse tocasse nela.
Há, então, elementos que se usam na avaliação de linguagem para diferenciar o atraso que requer atendimento da simples demora para falar, uma vez que é praticamente impossível fixar uma idade exata em que essa demora deixa de ser normal.

FALAR ERRADO
1.      E aquelas crianças que falam de um jeito que só as mães entendem?
Isso aponta para outro quadro que não é o atraso da linguagem. A troca de fonemas, por exemplo, que em Fonoaudiologia é chamada de desvio fonológico ou distúrbio articulatório, é um desses casos. Em vez de falar “carro” a criança fala “calo”; em vez de “vaca”, fala “faca”. Além das trocas, pode ocorrer também a omissão de sons.
Embora esteja estabelecido que em torno dos quatro anos de idade a criança deva estar com o sistema de sons da língua adquirido e estabilizado, existe certa margem de variação dentro dos limites da normalidade.
Há pais que trazem a criança com essa idade, preocupados porque ela fala errado a ponto de as pessoas de fora não entenderem o que diz.  Isso demanda análise cuidadosa para verificar que sons a criança não produz ou troca por outros a fim de determinar a necessidade de atendimento ou de esperar mais um pouco, pois ela está em fase final de aquisição da linguagem. Por exemplo: ela já fala razoavelmente bem todos os sons da língua com exceção do r duplo e dos encontros consonantais (fala “Basil” em vez de “Brasil”), em geral os últimos a serem adquiridos. Entretanto, mesmo antes dos quatro anos, pode ocorrer uma desorganização nos sistema de sons que merece o cuidado precoce do fonoaudiólogo.
2.      Você poderia dar um exemplo disso?
Há crianças que omitem sistematicamente os fonemas oclusivos velares, o /k/ de “cola” e o /g/ de “gola” e isso lhes causa incômodo e sofrimento. Lembro-me de que atendi uma menina cujo apelido era Cacá. Quando lhe perguntavam qual era seu nome, ela dizia A-á. As pessoas não entendiam, perguntavam de novo, ela repetia, mas não se fazia entender. A impossibilidade de dizer o próprio nome de maneira inteligível perturbava suas relações sociais. Num caso como esse, indica-se o atendimento mesmo antes dos quatro anos para evitar constrangimentos para a criança.
Ela se chamava Carolina e produzir o fonema /k/ fez uma enorme diferença em sua vida. O dia em que saiu da sessão falando Cacá, estava exultante. É através da fala que as pessoas se apresentam para o mundo. Não poder pronunciar corretamente o próprio nome é algo angustiante para a criança.

GAGUEIRA OU DISFLUÊNCIA
1.      Tenho a impressão de que existem menos crianças gagas atualmente. Estou errado?
Não saberia esclarecer a questão da frequência da gagueira, mas acho que é importante chamar atenção para o seguinte: certo grau de disfluência, ou gagueira, é normal na fala de todos nós e, muitas vezes, nem nos damos conta dele. Em relação à infância, há uma disfluência da fala descrita como normal que faz parte do processo de aquisição da linguagem e tende a desaparecer sozinha. Isso está relacionado com o momento em que a criança passa a produzir as próprias sentenças e tem de escolher uma palavra depois da outra. É como se estivesse diante de várias portas e estancasse hesitando por qual caminho deverá seguir. Isso não é ruim e mostra um movimento da criança na própria aquisição da linguagem.
É claro que o grau de disfluência varia de criança para criança assim como varia a preocupação das famílias. É freqüente pais levarem o filho ainda pequeno que gagueja um pouco para uma consulta com o fonoaudiólogo porque temem que ele seja gago.
Diante de uma hesitação normal, é preciso alertar os pais de que, se a reação deles for tranqüila, o problema da criança vai sumir naturalmente. Por que é importante dizer isso? Porque o modo como os pais lidam com essa fala disfluente pode criar uma autoimagem de mau falante na criança e levá-la realmente à gagueira. Quando ela começa a falar e para e o adulto interfere com dicas sobre a melhor forma de falar sem gaguejar (“pense a sentença toda antes de falar”, “respire fundo”, “fale devagar”), está brecando a fala da criança e criando uma tensão que ainda não existia. Por isso, é importante que os pais busquem orientação sobre a melhor forma de lidar com a disfluência dos filhos para não agravar um quadro que pode passar naturalmente.
2.      A partir de que idade, os pais devem preocupar-se com a gagueira dos filhos?
Eu diria que a partir dos quatro anos, aproximando-se dos cinco, porque nesse momento a criança percebe a própria disfluência e a reação que provoca nos outros.
A gagueira normal tende a diminuir a partir dos três anos e não incomoda nem inibe a criança. O problema começa quando ela evita falar em certas situações ou com determinadas pessoas e se recusa a pronunciar algumas palavras. Isso mostra que está criando mecanismos na tentativa de escapar da disfluência, o que agrava mais ainda o problema.

AVALIAÇÃO DOS FONOAUDIÓLOGOS
1.      Em que os fonoaudiólogos se baseiam para dizer que determinado comportamento em relação à fala é normal ou merece cuidados?
Sempre se inicia por uma entrevista com os pais na qual colocam por que estão procurando atendimento e contam a história da criança. Num segundo momento, o contato é com a criança. Há profissionais que optam por aplicar testes. Eu prefiro sessões livres e lúdicas. O material é gravado, transcrito e analisado para levantar erros e dificuldades que possam estar cristalizados, sintomas de um distúrbio que a criança apresenta e precisa de ajuda para superar.
2.      Esses erros costumam ser sistemáticos ou aleatórios?
Os erros da fala costumam ser sistemáticos, não no sentido de que sejam fixos, mas no sentido de que mostram uma sistematicidade própria da linguagem. Por exemplo, a criança que fala “faca” em vez de “vaca” vai trocar todos os fonemas sonoros pelos surdos. Ela vai falar “cassa” em vez de “casa”, “cato” em vez de “gato”, etc., porque isso é uma lógica própria do sistema de sons da língua. Nesses casos, não se trabalha com os sons isoladamente, mas com a oposição de sons surdos e sonoros, mexendo com todo o sistema fonológico da criança.
3.      Isso pressupõe uma avaliação bem cuidadosa, não é?
Bem cuidadosa. É preciso descobrir que sons são trocados, qual a relação existente entre eles, além de analisar outros fatores para escolher o melhor caminho para trabalhar com aquela criança especificamente.

LÍNGUA PRESA, LÍNGUA SOLTA
1.      E os casos de língua presa, como são encaminhados?
Aquilo que popularmente chamamos de língua presa, nada tem a ver com língua presa mesmo. Recentemente, foi publicada uma reportagem dizendo que o presidente Lula não tem língua presa, tem língua solta. Na verdade, o que ele, assim como outras pessoas têm, é uma projeção frontal da língua, resultante da flacidez ou hipotonia desse órgão. O ceceio característico de sua fala é provocado pelo mau posicionamento da língua, quer dizer, ela não fica contida no espaço nem na posição correta para assegurar o tônus adequado.
A língua presa, em contrapartida, está afixada na boca por uma prega que limita seus movimentos. Um bebê com língua presa pode ter dificuldade para mamar no seio da mãe, por exemplo. Por isso, às vezes, é necessário fazer uma pequena incisão para liberar os movimentos linguais.

2.      Existem exercícios para reduzir os efeitos da hipotonia da língua?
Existem, sim. Gostaria de ressaltar que o desenvolvimento da musculatura orofacial utilizada para a fala tem relação bastante próxima e forte com funções como sucção, mastigação, deglutição e respiração. Assim, o ideal seria o bebê mamar no seio materno, mas nem sempre isso é possível. Alimentado na mamadeira, é importante que ele faça força para sugar. Muitas vezes, preocupadas com o ganho de peso da criança, as mães cortam o bico e o leite jorra sem o bebê fazer esforço algum. Mesmo que o bico seja ortodôntico e o furo pequenininho, sugar no peito demanda força muito maior.
O movimento de sucção propicia o crescimento adequado das estruturas ósseas, das mandíbulas e desenvolve o tônus adequado da musculatura que vai ser empregada na fala.
O mesmo princípio deve ser observado na passagem para a alimentação sólida. Não é raro receber no consultório uma criança a quem a mãe só oferece alimentos macios e pastosos, apesar de já ter idade para aceitar a alimentação dos adultos. Às vezes, as pessoas perguntam: “Quer dizer que o modo como meu filho come interfere no modo como ele fala?”. Sim, interfere e muito.
Outro cuidado importante é observar como a criança respira. Se respira pela boca, é bom levá-la ao otorrino para uma avaliação, já que a respiração bucal pode estar relacionada com a flacidez da musculatura e língua mal posicionada.

APRENDENDO MAIS DE UMA LÍNGUA
1.      Teoricamente, a criança nasce com uma circuitaria cerebral que permite aprender a falar qualquer uma das centenas de línguas que existem.
Elas são capazes de produzir quaisquer sons, mesmo aqueles inimagináveis depois que aprendemos a falar uma língua.
2.      E as crianças que têm pais de nacionalidades diferentes e aprendem duas línguas. Isso resulta em alguma desvantagem?
Existem estudos que estabelecem certa relação entre a possibilidade de problemas de linguagem e o bilinguismo, mas já vi dezenas de crianças crescendo em situação bilíngue sem nenhum problema.
Alguns pais optam por colocar os filhos em escolas estrangeiras, porque acham vantajoso aprender mais de uma língua. Se a criança, porém, manifesta algum distúrbio de linguagem tal atitude pode provocar embaraços, uma vez que ela se vê diante de uma língua estranha quando nem domina a língua materna.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Fidedignidade: uma questão de pesquisa

Fidedignidade: uma questão de pesquisa
Cristina Maria Rosa

Na aula de Literatura Infantil do dia 08 de agosto de 2017 dialogamos sobre fidedignidade. O assunto surgiu a partir dos resultados de pesquisa comunicados em recente evento, quando parte das informações disponibilizadas pelos pesquisadores foram contestadas. Esse episódio – rico para quem pesquisa – evidenciou, para nós autores, o quanto um público culto, bem informado e atento é importante para que aprendamos mais e mais.
Mas vamos ao que nos propusemos...
Tu sabes o que é fidedignidade?
É ser fiel à verdade, ser leal, exato, verídico. Em pesquisa, é ser capaz de expressar o que se os dados revelam. Para o dicionário Aurélio, é a “Qualidade daquele ou daquilo que é fidedigno” e fidedigno, é “digno de todo o crédito”.
Todo pesquisador, mesmo que discorde de resultados de pesquisas a partir de evidências que os dados revelam, deseja ser fidedigno. Deseja ser capaz de revelar, a si mesmo e aos demais, as informações que, em entrevistas, questionários e observações pode colher como retrato de um tempo, um momento, uma realidade.
Mas pesquisar é muito mais do que ser fidedigno, uma vez que pressupõe relação entre dados. E essas relações são de vários tipos, entre eles, as relações de inteligência (pensar) sobre as revelações, de dúvida (questionar) sobre os dados e suas revelações, de ponderação (supor) sobre o evidenciado, de afirmação (concluir) de pequenas “verdades” e de estabelecimento de parâmetros (generalizar) para pesquisar mais e com maior afinco.
No entanto, nenhuma pesquisa pode deixar de ser fidedigna, sob o risco de perder a credibilidade.
Pesquisa Qualitativa
A pesquisa e, especialmente, a pesquisa de cunho qualitativo, de acordo com Van Zanten (2004) pressupõe que o ponto de vista do investigador seja “um pouco mais válido do ponto de vista científico” que os demais olhares a respeito do mesmo fenômeno, pois este olhar – o do pesquisador – “representa rigor no trabalho de investigação”.
Por ser um trabalho no qual se aplica técnicas, seus resultados se inscrevem em um campo de produção científica, mesmo quando se trata de um estudo pequeno, localizado. Assim, sua validade diz respeito à contribuição que oferece a um conhecimento já existente.
É bom lembrar que toda investigação aponta algo novo ao campo total de conhecimento e esse “novo” pode ser um olhar a respeito de um fenômeno, uma forma de olhar, um recorte que revela algo inusitado, uma peculiar relação estabelecida entre dados e mesmo, a negação de tudo que anteriormente se sabia a respeito do estudado.
A questão central em pesquisa qualitativa não é o tamanho do grupo que se estuda e, sim, o enfoque que se pode dar aos dados revelados. E não se pode ignorar que a maneira como são restituídos os resultados também produzem efeitos nas idéias e em sua generalização. Ou seja, a cada vez que se disponibilizam dados coletados, estes se integram ao público que os conhece que, desta forma, se torna mais culto em relação ao fenômeno.
Fidedignidade: os títulos lembrados
Na aula de hoje o tema foi Fidedignidade. Para exemplificar o que é e como essa expressão aparece no campo da pesquisa qualitativa, realizei, com as alunas presentes, uma mini investigação: solicitei que todas respondessem se alguém já havia lido um texto, um livro ou mesmo um fragmento de livro para elas na Universidade. Todas responderam que sim.
O próximo passo foi solicitar que escrevessem, em seus cadernos, quais os títulos e autores do texto ou dos textos que lhes haviam sido apresentados. Poderiam também, utilizar os gêneros conhecidos na disciplina, uma vez que o foco da Literatura Infantil I ofertada de forma optativa na Licenciatura em Pedagogia, é o contato intenso com gêneros, autores e obras.
Depois de certo tempo, uma a uma, todas leram, em voz alta e para as colegas, os títulos que lhes ficaram na memória. E foram setenta e cinco os títulos lembrados, entre clássicos da literatura universal, clássicos brasileiros, regionalistas, poetas encantadores e autores moderníssimos. Do total de textos mencionados, 38 (50,66%) representaram a variedade, uma vez que muitos leram ou lembraram as mesmas obras.
Quer conhecer os mencionados? A seguir, em ordem alfabética de títulos e com fidedignidade, o resultado da pesquisa de hoje.
Títulos e seus autores:
1.                  A cozinha encantada dos contos de fada, de Katia Canton;
2.                  A história mais triste do mundo, de Mário Corso;
3.                  A revolta dos gizes de cera, de Drew Day Walt e Oliver Jeffers;
4.                  A vida do Elefante Basílio, de Erico Verissimo;
5.                  Artinha de Leitura, de João Simões Lopes Neto;
6.                  As aventuras do avião vermelho, de Erico Verissimo;
7.                  Assim assado, de Eva Furnari;
8.                  Azul e lindo planeta terra nossa casa, de Ruth Rocha;
9.                  Baú de espantos, de Mário Quintana
10.              Biblioteca, de Manoel de Barros;
11.              Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque;
12.              Chapeuzinho Vermelho, de Charles Perrault;
13.              De fora da Arca, de Ana Maria Machado;
14.              Dona Baratinha, de Ana Maria Machado;
15.              Fadas no Divã, de Diana e Mário Corso;
16.              Histórias do Mundo para crianças, de Monteiro Lobato;
17.              Lobato em Quadrinhos, de Monteiro Lobato;
18.              Lulu, de Fabrício Carpinejar;
19.              Mania de explicação, de Adriana Falcão
20.              Memórias da Emília, de Monteiro Lobato;
21.              Monstruário, de Mário Corso
22.              Não confunda, de Eva Furnari;
23.              Negrinha, de Monteiro Lobato;
24.              O gato de bombachas, de R. S. Keller e Marcio Melgareco;
25.              O mágico de Oz, de Lyman Frank Baum
26.              O noivo ladrão, de Jacob e Wilhelm Grimm;
27.              O príncipe sapo, de Jacob e Wilhelm Grimm;
28.              O sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato;
29.              O soldadinho de chumbo de Hans Christian Andersen;
30.              Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo, de William Joyce;
31.              Os três porquinhos pobres, de Erico Verissimo;
32.              Os três porquinhos preguiçosos, de Jacob e Wilhelm Grimm;
33.              Poemas que escolhi para crianças, de Ruth Rocha;
34.              Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato;
35.              Rosa Maria no castelo encantado, de Erico Verissimo;
36.              Sapato furado, de Mário Quintana;
37.              Sapo amarelo, de Mário Quintana;
38.              Um violão e uma viola, de Ana Maria Machado

Concluindo
A fidedignidade pressupõe, também, dignidade e ser digno é ser merecedor do respeito de nossos orientandos. Ser digno, é ser merecedor do olhar admirado do outro. Ser digno é qualificar e preservar o maior bem público: o conhecimento.
Ao concluir este pequeno exercíco de pesquisa, em uma manhã de inverno em agosto de 2017, aprendi e ensinei. Dividi o que sei e observei o que ainda preciso aprender.
Minhas alunas, atualmente, serão colegas, em breve. Pedagogas que, como eu, precisam aprender a ouvir para, com dignidade e fidedignidade, falar.
Estamos no caminho! 

Referências:
ROSA, Cristina. Perfil leitor do estudante de Pedagogia 2017-2019. Projeto de Pesquisa. Disponível em: http://peteducacao.blogspot.com.br/p/planejamento-2017.html
Van Zanten, Agnès. Pesquisa qualitativa em educação: pertinência, validez e generalização. PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 22, n. 01, p. 25-45, jan./jun. 2004. Disponível em: http://josenorberto.com.br/03_artigo_zanten.pdf

Alfabeteando...

Um "Alfabeto à parte" foi criado em setembro de 2008 e tem como objetivo discutir a leitura e a literatura na escola. Nele disponibilizo o que penso, estudos sobre documentos raros e meus contos, além de uma lista do que gosto de ler. Alguns momentos importantes estão aqui. 2013 – Publicação dos estudos sobre o Abecedário Ilustrado Meu ABC, de Erico Verissimo, publicado pelas Oficinas Gráficas da Livraria do Globo em 1936; 2015 – Inauguração da Sala de Leitura Erico Verissimo, na FaE/UFPel; 2016 – Restauro e ambientação da Biblioteca na Escola Fernando Treptow, inaugurada em 25 de novembro; 2017 – Escrita da Biografia literária de João Bez Batti, a partir de relatos pessoais. Bilíngue – português e italiano – tornou-se um E-Book; 2018 – Feira do Livro com Anna Claudia Ramos (http://annaclaudiaramos.com.br/). 2019 – Produção de Íris e a Beterraba, um livro digital ilustrado por crianças; 2020 – Produção de Uma quarentena de Receitas, um livro criado para comemorar a vida; 2021 – Ruas Rosas e Um abraço e um chá, duas produções com a UNAPI; 2022 – Inicio de Pesquisa de Pós-Doutorado em acervos universitários. Foco: Há livros literários para crianças que abordem o ECA? 2023 – Tragicamente obsoletos: Publicação de um catálogo com livros para a infância.

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